Uma viagem voluntária para o Sri Lanka que seguiu para outros países na Ásia

Viagens de trabalho voluntário podem envolver milhões de atividades. Sempre muito valiosas.

Hoje, falamos com o Diego, 21, que viajou entre os meses de Dezembro de 2014 até Fevereiro de 2015 para o Sri Lanka. Mas dessa vez, o objetivo da viagem envolvia uma parceria com empresas locais para desenvolver o turismo no país. Lá, Diego conheceu os parques nacionais, fez safáris e montou conteúdo sobre tudo que vivenciou.

Veja o que mais ele nos contou:

Motivo da viagem:

Trabalho voluntário – tinha o objetivo de desenvolver o turismo no Sri Lanka. Lá, existem empresas que trabalham com safari, por causa das belezas naturais do local. Em parceria com a Aiesec, o projeto envolvia um trabalho de marketing para essas empresas em troca dos passeios.

Ao todo, éramos 11 pessoas de diversas nacionalidades. O que foi ótimo já que queria desenvolver o inglês e consegui melhorar muito na língua.

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A convivência com o grupo foi tranquila, principalmente porque já tinha trabalhado com intercambistas em Passo Fundo. Acho que isso ajudou, pois sempre amei essa troca de experiências. Mas manter esse grupo unido foi mais complicado no início, principalmente pelas divergências de opiniões. Mesmo tendo viagens programadas, tinha muito horário livre, então cada um queria fazer algo diferente o que nos separava bastante.

Mas depois  todos estavam mais unidos e vimos o aprendizado de ter essa ligação entre o grupo. Mais ou menos um espírito de família. Deu tudo certo, no final saí um pouco antes do intercâmbio por questão de visto. Mas aproveitei muito, fiz o trabalho voluntário que foi muito válido para mim. Sempre fui apaixonado por fotografia, o que ajudou muito no trabalho. Sei que fiz a diferença e ainda juntei o útil ao agradável. 

Como você descobriu o projeto?

Pela Aiesec, mas sempre digo que foi o Sri Lanka que me escolheu. Me perguntavam porque eu iria para lá, e por ser algo tão diferente foi o que mais me motivou. Queria me desafiar, estou na fase para isso, tenho saúde e outros lugares seriam mais fáceis de ir em outros momentos.

Como achou moradia?

 Já estava organizado na base do projeto. A facilidade de fazer pela organização é que já ter tudo isso definido. Fiquei em uma Guest House, tinham 2 quartos como de um hotel bem simples, sendo um feminino e outro masculino, lá eram 4 meninos e 7 meninas. E passávamos um tempo lá, tinha um rooftop para nos encontrarmos.

Pagamos 200 dólares pelo projeto todo (menos a passagem). 1 mês e meio de hospedagem e 3 safáris de uma empresa de luxo. Fomos as “cobaias” para analisar o desenvolvimento da empresa.

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Como era seu dia a dia? 

Tirando os dias que tinham viagens programadas, que ocupavam os finais de semana normalmente, podíamos fazer o que quiséssemos, viajar e voltar, conhecer a ilha e assim por diante.

No começo tinha um certo medo de explorar pois ninguém ali conhecia o Sri Lanka. Saíamos sabendo que seria difícil achar alguém que falasse inglês e pegava um trem sem saber onde ir. Mas tínhamos ajuda das pessoas da Aiesec de lá, explicando o que comer, pois é tudo muito apimentado, e onde ir.

Também íamos na praia passear e andar de jetski ou íamos em pontos turísticos diferentes.

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Para o trabalho, preparávamos posts para o blog, Facebook e Twitter, mais avaliações no Tripadvisor e sites de referência em turismo. Tudo separado por tema. Como gosto de fotografar, levei 3 câmeras para montar material e conteúdo. Depois fazia edições dos vídeos e das fotos.

Com isso, fizemos 3 vídeos, 1 de cada safari um outro sobre o Sri Lanka sem estar ligado a alguma empresa como os outros.

Viagens de final de semana

Normalmente íamos de trem ou ônibus. Era tudo muito lotado e para distâncias menores usávamos o tuk-tuk.

A ilha tem 460 x 220 km e é tudo muito difícil de chegar, as estradas são horríveis, só tem uma rodovia em um pequeno trecho da ilha. O trânsito também era uma zona, todos buzinando e sem educação ao dirigir. Os ônibus eram todos estilizados pelos motoristas e sempre com o som no máximo. E os trens possuíam vagões de 1 classe, mas precisava comprar com 2 dias de antecedência para conseguir lugar.

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Um desafio?

Além do desafio da montanha, gostar de pimenta foi difícil pois sempre tive horror a ela, emagreci uns 10 kg.

No início foi difícil me acostumar em sair da zona de conforto e ir pra um lugar tão diferente. Me acostumar em estar tão longe e em um lugar tão diferente. Nunca tinha saído do Brasil e de primeira fui para o Sri Lanka. Foram 4 vôos e 3 dias de viagem desde Passo Fundo.

Mas vejo o quanto valeu a pena, pois hoje não tenho mais medo do mundo. Quando cheguei de escala na África, estava tremendo. Tinha que conseguir um hotel para passar a noite, consegui um telefone público mas estava tão nervoso que não conseguia entender o que os outros falavam. Paguei 50 reais por um ligação, mas quando consegui chegar no hotel a sensação foi passando e se acalmando. Pensei o que é que eu estava fazendo lá e porque fui sozinho, mas depois isso melhorou.

O que mais gostou?

Costumo dizer que os dias mais legais foram nos últimos dias do ano, que a Aiesec fez uma interação com um dia de atividades na praia e foi o dia que tive mais contato com pessoas de lá. Era um grupo grande para conhecer e os outros contatos que já tinha eram mais profissionais, mas esse dia foi descontraído. Lá não tinha facilidade para se locomover ou poucas condições para ir em determinados lugares. Então esse foi o dia que conseguiram interagir o dia toda com brincadeiras foi um dia extremamente feliz.

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O passeio para Adam’s Peak, uma montanha com 2.240 metros de altitude, é o único lugar em que as pessoas conseguem sentir frio no Sri Lanka. É comum fazer o passeio de madrugada para ver o nascer do sol. Nós pegamos o último ônibus do dia, chegamos às 6h da tarde, jantamos e começamos a escalar – são 4 horas só de escada até o topo.

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Como chegamos e subimos direto, não imaginamos que passaríamos tanto frio, além de não levar muita coisa na mochila para não carregar peso. Iniciamos a caminhada as 10hs da noite e as 2h da manhã já estávamos no topo. Lá em cima, existe um templo budista, onde muitas pessoas vão para pagar promessas. E no meio dele, existe um espaço para dormir (no chão).

Foi uma experiência maravilhosa, passamos a noite inteira lá, fomos muito bem recebidos. As pessoas deram um jeito de se encolher pra dar espaço pra a gente. – “dormimos em um templo budista, no Sri Lanka, morrendo frio.” – Nunca imaginei que ía passar por isso. De manhã eles nos oferecem comida,  pois isso significa prosperidade. A lua estava cheia, foi extremamente linda, e o nascer do sol foi o mais lindo que já vi na vida, tudo por cima das nuvens.

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Adam’s Peak – Sri Lanka

 

E na caminhada de volta, por estar claro, você consegue ver como tudo que caminhou é lindo.

O que evitar?

Meninas devem procurar saber o que vestir. Nos templos, por exemplo, não pode ir de short, nem ombro de fora, tanto homens quanto mulheres. Também não aconselho mulheres a sairem sozinhas a noite, tem muitos casos de estupro. É um país pouco desenvolvido.

Viajou pela Ásia depois de acabar o trabalho no Sri Lanka?

Quando preparei a documentação para viajar, tive a opção de ir com o visto de residência ou o de turismo. Por ser um trabalho voluntário, consegui o visto de residência que é válido por 30 dias, e se quisesse fazer a extensão precisava pagar 150 dólares. Então, no final da viagem, optei por sair do país um pouco antes do fim do projeto para gastar esse dinheiro viajando. Decidi isso 2 dias antes do visto encerrar.

Procurei saber quais países não seria necessário visto, e acabei indo para Thailandia e Malásia. Passei 12 dias viajando sozinho.

Na Thailandia, não sabia onde ficar ao chegar, então resolvi usar o Couchsurfing. Estava com orçamento contado e não podia gastar mais, e esse tipo de estadia é grátis. Pesquisei um local para ficar e peguei o host mais bem avaliado de lá.

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A dona da casa, uma moça de 35 anos com cara de 25, deu as referências de como chegar, gastei um horror com o taxi, mas fiquei 4 dias hospedado na casa dela. Chegando lá, vi que ela recebia em média 10 pessoas por semana porque gosta de conhecer pessoas e dividir histórias. As regras da casa estavam coladas na parede.

O quarto era minúsculo e vi que tinham muitos presentes de pessoas que se hospedaram lá. De noite, ela me levou para sair com ela para conhecer lugares e pessoas. No outro dia, ela recebeu um hóspede belga, ficamos amigos e depois disso fomos viajar para as praias da Thailandia.

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Dicas úteis?

Se organize para saber onde quer realmente conhecer. Porque depois que você já está lá, fica mais difícil. Não conheci o norte do país pois não recomendam muito e também não me planejei para isso.

Tome cuidado para sair sozinho. Você sempre encontra gente na rua, mas pode dar o azar de pegar uma rua deserta, o que não é bom.

Quando usar o Tuk-Tuk ou táxi, nunca acredite nos motoristas. É preciso perguntar antes se eles tem taxímetro e se funciona, porque eles sempre tentam ganhar mais. São todos malandros.

E com a comida, só fique atento para pimenta e não se preocupe com aparência.

 

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