Uma experiência de duas semanas na África fazendo trabalho voluntário com crianças

Histórias de pessoas que fazem trabalho voluntário são histórias que nos cativam muito. Por um momento, quando imaginamos essas experiências, percebemos quais coisas realmente importam e que lições de vida podem vir dos lugares menos esperados.

Quando essas pessoas dividem o que elas viveram, acabam nos inspirando. E não só para tentar fazer uma viagem de trabalho voluntário, mas também para ver coisas que nossos olhos não vem sempre e perceber que existem muitas realidades pelo mundo que jamais imaginávamos.

A Luiza é uma dessas raras pessoas. Ela dividiu conosco a incrível experiência que teve na África do Sul, quando passou duas semanas no interior do país, em Chintsa, trabalhando com crianças.

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Olhe só o que ela nos contou:

Como você descobriu o programa?

Pela CI (Central do Intercâmbio). A ONG possui programas para trabalhar com crianças ou com animais. A estadia mínima é de duas semanas. Me inscrevi para trabalhar com as crianças de até 6 anos.

O programa que fiz era o Community Preschool Project. Também é possível se inscrever diretamente. O site oficial deles, que possui outros programas é esse aqui, que disponibiliza não só o programa com crianças mas também na reserva de animais e outros.

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Como era seu trabalho lá?

Quando você chega na casa eles te dão uma apostila de como tudo vai funcionar e como lidar com as crianças. Tinha que cumprir o horário de estar as 8h da manhã na escola.

Quando ía para a escola ajudava a professora, cada uma delas era responsável por 40 alunos. Na creche era tanto para ajudar como brincar com as crianças.

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Segunda-feria fazíamos jardinagem na horta da pre-school.

Terça e quinta-feira era o dia dos esportes. Nós descíamos pelo vilarejo chamando as crianças e elas íam junto com a gente. E todos íamos para o campo que a ONG de lá cuida. Outros dias mudávamos o local dos esportes para a praia, que ficava a 20 minutos do vilarejo. Era um bom modo de incentivar o esporte, misturando com lazer.

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Quarta-feira os voluntários faziam uma visita ao orfanato, que era muito bom e tinham até crianças de colo. Normalmente levávamos livros e desenhos para brincar. Também tinha uma hora para aprender a usar o computador. Cada dia da semana, um caminhão com computadores parava em uma escola diferente da cidade para dar essa aula.

Sexta-feira era dia livre. Na primeira sexta-feira eu estava exausta, mas nesse dia ficávamos com os outros voluntários. Eram 5 brasileiros, 2 ingleses e 1 alemão na casa que estava hospedada. Em uma outra estadia de lá tinham 18 australianos também.

Como era sua estadia?

A casa própria do projeto, onde normalmente se hospedam os voluntários estava ocupada pelos australianos. Então a organização alugou uma outra casa que ficava de frente para a praia.

Era muito agradável.

Fiquei em um quarto só com a minha amiga que foi junto para lá. Também convivíamos com os outros voluntários, era bom conversar com eles e ver as diferenças culturais.

O que fez nos finais de semana?

No primeiro final de semana lá era o dia da independência australiana (tinham muitos australianos lá). Fomos para um hotel na região em um brunch. Pensamos em viajar para Cape Town também mas era muito caro e o período livre era curto, então decidimos ficar no vilarejo.

No outro final de semana fui fazer um safari em um resort. Marquei de andar de elefante, mas não sei como, no dia eles falaram que tinham perdido alguns elefantes. Então acabamos sem esse passeio.

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Como era a alimentação?

Quando você paga o projeto, alimentação, transporte e moradia estão inclusos.

O café da manhã era preparado na nossa casa. Tinha sucrilhos, torradeira, suco e tudo mais.

Para o almoço tinha sanduíche e à noite vinha uma pessoa cozinhar na casa.

Se quisesse algo além disso, tinha um mercado pequeno que dava para comprar algumas coisas. E no caminho do orfanato tinha um mercado maior que o motorista parava para nos dar uns minutinhos de compras.

A alimentação das crianças variava de cada um. Algumas levavam comida de casa. Alguns dias ganhavam comida de um projeto que chama I need hot food – elas só comiam comida fria. E outras vezes ganhavam doações de restaurantes.

O que me marcou é que todas dividiam comida sem o menor problema.

Como era a rotina das crianças?

As mais velhas íam para a escola das 8h da manhã até as 12h30. As crianças da creche passavam o dia todo nela.

Suas atividades também seguiam o roteiro dos voluntários, quando saíamos para brincar e tudo mais. Elas adoravam dançar.

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Nas quintas-feiras, uma ambulância fornecida pela prefeitura passava pelo vilarejo para cuidar das crianças e adultos.

Uma das meninas que me apeguei muito lá tinha AIDS e toda quinta ela se tratava na ambulância.

Como era conviver com as crianças?

Foi o que mais gostei.

Elas ensinam a se divertir com pouco. Brincavam muito e adoravam tirar foto. Ensinei a elas algumas brincadeiras brasileiras e algumas músicas.

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Tinham um brilho no olhar que refletia, algo muito puro. Me abraçavam e beijavam sempre.

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E eram muito carinhosas, até entre elas. Andavam sempre abraçadas ou de mão dada, até para ir no banheiro.

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Um desafio?

A comunicação.

Acabei não conversando com as crianças. Eu falava inglês e elas falavam o dialeto local, o Xhosa. Falávamos só com pequenas frases. Mas independente disso, conseguíamos nos entender.

Quando trabalhava com os bebês falava em português mesmo.

O que mais gostou?

Sempre tive vontade de ir para a África fazer trabalho voluntário.

Foi um sonho realizado.

Uma experiência incrível poder contribuir de uma certa forma. Mesmo sendo 2 semanas, ainda penso em todas as crianças e da história delas.

Não sei se ajudei tanto elas como elas me ajudaram, elas são acostumadas com os voluntários, viviam fazendo trancinha no meu cabelo, eram muito fofas.

Para mim foi muito marcante.

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Gostei muito do tempo que passava com elas brincando. E também de todas as pessoas que conheci.

O motorista, que nos levava para todos os lugares, era muito legal. Sempre conversava e brincava com a gente, eles eram muito brincalhões e felizes.

Dica

Se puder vá com alguém, como eu fiz. É bom para poder conversar e ter uma base, dividir essa experiência.

Nosso trabalho era invertido, então quando minha amiga estava trabalhando em um lugar eu estava em outro, não vivíamos grudadas. Era bom pois podíamos falar do dia depois do trabalho.

Se você gostou da matéria e quer ajudar os programas em Chintsa, visite o site Friends of Chintsa, lá eles explicam os programas e disponibilizam meios para fazer doações.

Veja também: Trabalho voluntário na China – 4 semanas dando aula para crianças carentes!

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