Uma cultura diferente, culinária exótica e uma experiência incrível morando na Coreia do Sul

Sair do comum, do conhecido e viver algo totalmente diferente do que se imaginou. Um “diferente” que se tornou em uma experiência única com muitos aprendizados e  boas histórias para contar. Foi assim com a Nathalia, que em Agosto de 2013 se mudou para a Coreia do Sul e ficou lá até Fevereiro de 2014.

Lá, ela estudou na Hankuk University of Foreign Studies, uma faculdade que possui cursos ministrados em 36 idiomas.

Veja o que mais ela nos contou:

Motivo

Começou uma onda na faculdade de todo mundo fazer intercâmbio, todos para os Estados Unidos, mas não queria ir para m lugar que já conhecia.

Aí a Puc abriu parceria com a Coreia do Sul, por coincidência, tinha uma amiga fazendo o Ciência Sem Fronteiras lá e estava adorando. Achei que seria uma boa oportunidade de conhecer a Ásia, especialmente a Coreia do Sul que é um país que se desenvolveu muito, com um povo muito focado e determinado.

Em 50 anos, quando a guerra terminou eles construíram um império.

Seoul é muito legal. Eles são apaixonados pelos Estados Unidos então tem muita coisa parecida. Tem muita base militar americana lá.

Curso

Eu poderia escolher aulas dentro da faculdade de Ciências Políticas.

Tentei encontrar uma grade horária que a favorecesse e que tivesse equivalência no Brasil

Fiz Direito Internacional, Relações Internacionais da Ásia, Política Coreano e Política Externa Coreana.

Foi uma chance de poder fazer disciplinas diferentes.

O curso foi muito bom. Eles são muito estudiosos, a biblioteca da faculdade era aberta 24h, as 4 horas da manhã ela estava lotada com alunos estudando.

Tive aulas em inglês, sobre a Coreia com um professor coreano. As vezes era um pouco difícil entender o sotaque, mas a didática é muito boa, você faz trabalho e apresentação só.

Foram duas avaliações, um trabalho escrito e uma apresentação – que eram mais difíceis do que as avaliações.

Estudou mais do que a faculdade inteira aqui do Brasil, não sei se por medo do desconhecido mas eu li muito e os livros que eles passam são muito bons.

O campus ficava na região norte de Seoul, era totalmente aberto, não tinha portões. Tinha o prédio principal que era bem alto, uma certa arquitetura grega. A infraestrutura era muito boa como tudo na Coreia do Sul, principalmente na parte de tecnologia, eles possuem o melhor wifi do mundo e todos os lugares tinha internet, até no metrô.

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Campus da faculdade
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Faculdade no inverno

Como você se inscreveu?

Pela Puc-sp. Foi a primeira vez que um aluno deles decidiu ir para Coreia do Sul, então eles estavam um pouco perdidos, mas deu tudo certo.

Como ía ficar mais do que três meses, precisei tirar visto.

Foi muito fácil, o consulado deles fica na Av. Paulista e em 10 dias úteis já estava com tudo em mãos.

O visto permite apenas uma entrada na Coreia do Sul, mas chegando lá você pode tirar o Alien Card, que vira seu documento local. Com ele você pode sair e voltar para o país, desde que avise. Se for sua última saída eles pegam o cartão de você.

Como achou moradia?

Fiz uma pesquisa antes de ir e vi que morar sozinha seria relativamente caro. O ideal seria dividir com alguém mas não achei ninguém, então decidi ficar nas acomodações da faculdade. Para isso, eu precisava receber uma confirmação da universidade garantindo minha vaga no dormitório deles, mas até uma semana antes de viajar não tinha tido nenhuma resposta. Um dia antes de ir, recebi uma mensagem deles falando que o prédio deles estava lotado e não teria mais quartos.

Perguntei o que deveria fazer e eles responderam que um mês antes eles tinham começado a construir um novo prédio na frente da faculdade. Quando cheguei lá o prédio estava realmente pronto, foi impressionante.

E foi ótimo, era tudo novo (cama, máquinas de lavar e etc) . A única coisa que não ficou finalizada foi a cozinha, que demorou mais duas semanas para ficar pronta. O que foi até bom porque ganhamos um desconto.

Lá os dormitórios são separados por gênero, então só havia mulheres no prédio que fiquei.

Como era seu dia a dia? 

Tinha aula quatro vezes por semana, só não tinha na sexta-feira. Nos dias de aula, a primeira aula era das 9h da manhã até o meio dia. Depois, a segunda aula ou era do meio dia às 15h ou das 15h às 18h.

Normalmente almoçava na cafeteria da faculdade, que era super barato. Gastava ou $1,80 ou $2,20 (a moeda de deles, o Won Sul-coreano, é quase equivalente ao dólar americano), era bem barato e a comida era muito gostosa. Outra opção para almoçar eram restaurantes pequenos que ficavam ali por perto e um do lado do outro.

Tinham várias opções para se gastar no máximo 5 dólares.

E uma alimentação boa. Encontrava muita carne de porco, peixe ou frango, e sempre pedia algo gralhado. Tudo com bastante pimenta e gengibre. Acabei não engordando nada, o que é normalmente uma preocupação quando se está de intercâmbio.

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Kimchi – comida mais tradicional, que acompanha todas as comidas. Feito de acelga levada a molho de pimenta por meses.
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Topokki – é um snack food feito de arroz, peixe e pimenta.

Muitas pessoas acham que lá só se come carne de cachorro, mas você não encontra isso com facilidade, somente em lugares específicos. Esse tipo de comida era mais comum na época de guerra, por falta do que ter para comer mesmo.

Depois da aula ía para a academia da própria faculdade. Tinham uma que era de graça e outra que pagava 20 dólares por mês.

A noite normalmente jantava com meus amigos.

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Korean Barbecue

O que fazia nos finais de semana?

Ía para três lugares normalmente. Tinha o Gangnam (daí que vêm a música Gangnam Style) que era o bairro mais caro, com restaurantes muito bons e baladas (balada Octagun,de 4 andares e na época ela tinha ganho prêmio das melhores baladas da Ásia). Outro bairro que frequentávamos era o Hongdae, que era o mais animado, cheio de bares e baladas.

A música tocava na rua também, então mesmo do lado de fora era festa.

Ficávamos andando entrando em lugares e passeando. Alguns lugares a entrada era de graça e outros, que eram melhores, a entrada era paga.

Também tinha o Itaewon, uma parte mais turística. Com muitos hotéis e bares, quando queríamos comer algo diferente íamos lá, existe uma presença norte-americana mais forte naquela região. É comum ver soldados pelas ruas, tanto os sul-coreanos como os norte-americanos.

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Old Town

Visitávamos os palácios imperiais também, que ficavam espalhados pela cidade. Na avenida principal da cidade tinha o Palácio de Gyeongbokgung que era enorme e o principal.

Isso foi uma coisa que diferenciou muito para mim, o mix entre ocidente e modernidade com o oriente e império e passado.

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Old Town
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Foto tirada de fora do palácio.

Um desafio? 

Me comunicar quando queria comer. A geração mais idosa na Coreia do Sul não fala inglês e os jovens são muito tímidos. As vezes, parar um jovem na rua era custoso, ou ele começava a rir ou travavam.

Por isso, ficava mais com o pessoal da faculdade que falava inglês. Mas quando estava sozinha tentava me comunicar com gestos, o que era algo que eles adoravam.

Chegar com um sorriso ou se curvar para eles ajudava muito.

Para comer sozinha era mais complicado, mesmo conseguindo fazer uma mímica não conseguia saber o que tinha para comer, o cardápio deles não tinha nenhuma foto. Aprendi falar frango e porco em coreano (queria ter feito aula de coreano mas não teria equivalência na faculdade  no Brasil).

O que mais gostou?

O encontro de dois lados no mesmo lugar. O mix entre modernidade e passado.

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Contraste entre antigo e novo

Para quem estuda Relações Internacionais, essa parte cultural e o foco deles impressiona muito. Era muito interessante ver como tudo funcionava. Não tinha do que me queixar, era tudo muito seguro e civilizado, com muito respeito aos outros.

É o que faz a Coreia do Sul funcionar tão bem.

O que evitar? 

Evite falar alto quando estiver usando um transporte público.

Levei muita bronca por isso.

Eles pedem muito respeito, principalmente os mais idosos. Tente chegar sorrindo e mostrar que aquele também é seu ambiente, que você não está só de passagem. Eles não descriminam os estrangeiros mas exigem respeito e um bom comportamento em público.

Em termos da universidade, tudo era levado muito a sério. Se a aula começasse ao meio dia, você tinha que estar na sala 11:59, se não levava falta. Não podia usar o celular na sala e precisava fazer silêncio.

Eles sabem diferenciar cada momento, na aula eles são super concentrados e na balada são super soltos.

Dicas úteis? 

Compre um pacote de internet para usar o celular e baixe o dicionário coreano nele. Outro app bom é o de transporte, o Seoul Subway, te leva para todos os lugares.

Cuidado com os taxistas, sempre que entrar em um tenha certeza de que ele entendeu onde você quer ir (eles podem te levar para outro lugar e falar que tinham entendido errado só para andar mais), anote o endereço e mostre para eles, é mais fácil e eles não tem como se enganar.

Experimentem o Corean Barbucue, é muito bom. Uma carne fininha e gostosa que você come dentro de uma folha de alface ou com arroz.

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Korean Barbecue

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