Trabalho voluntário na China – 4 semanas dando aula para crianças carentes!

Fazer a diferença.

É isso que muitas pessoas fazem ao se dispor em ajudar pessoas necessitadas. Doam seu tempo, sua educação, sua atenção e tudo que podem oferecer de valor a um estranho.

E quem mais aprende? O próprio voluntário.

Foi assim com a Cecília, 22, que  passou os meses de Junho e Julho na China para trabalhar como voluntária em uma escola no interior deste país.

Ela visitou alguns lugares, como Xing Du, Shanghai e Hong Kong, até que foi para Pequim para fazer seu treinamento, e depois foi para o interior onde iria trabalhar durante 4 semanas.

Olha só o que mais ela contou:

Motivo

Queria conhecer a China e fazer trabalho voluntário. Também buscava um aprendizado diferente, e não só de idioma. Morei 5 anos fora quando mais nova, então queria mudar o foco.

O treinamento

O  treinamento aconteceu na Renmin University of China. Como fui com a AIESEC, o treinamento foi na unidade deles de lá.

Durante esse tempo, não tive muita noção do que realmente iria fazer. Os voluntários foram separados de acordo com a idade dos alunos da turma em que seriam professores.

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Sabíamos que os alunos tinham aula de inglês normalmente, mas alguns deles não falavam tão bem. Mas todos tinham pelo menos uma noção.

Depois do treinamento, pegamos um trem para o interior – uma viagem de 16 horas.

Como achou moradia?

Morava em um dormitório da escola. Eram 4 beliches por quarto, e cada quarto era uma suíte. Mas o banheiro não era muito bom, eles não tem vaso sanitário, além de ser bem sujo.

Sabia que não teria conforto, fui preparada para encarar tudo.

Mas a infra-estrutura da escola era muito boa. O problema era a limpeza, que era inexistente nas salas de aula e o banheiro dos alunos não tinha nem saneamento básico. Era um buraco no chão para eles fazerem necessidades. Tudo muito sujo.

Como era seu dia a dia? 

Dava aula para diferentes turmas durante o dia. O horário era das 8h50 até as 16h50. E duas vezes por semana dava aula à noite para alunos que iriam prestar o vestibular.

Ensinei principalmente inglês, mas eles pedem para repassar tudo que você souber, então também dei aula de basquete, francês e sobre cultura brasileira.

Às vezes também trocava de turma com outros voluntários.

Toda noite tinha reunião com os outros intercambistas para conversar como tinha sido o dia, falar das dificuldades e decidir passeios que poderíamos fazer com os alunos.

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No nosso grupo de voluntários tinham universitários chineses, que ajudavam bastante com a comunicação e eles que montaram a programação de tudo.

O que fazia nos finais de semana?

Fiz viagens pela China antes do treinamento e do voluntariado.

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A Grande Muralha da China
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Beijing World Park

Durante o tempo já na escola, tínhamos terça e sábado como dia de descanso, o dia inteiro. Mas não tinha o que fazer então ficávamos com os outros voluntários.

Tinha gente da Malásia, Indonésia, Egito, Marrocos e China mesmo.

Um desafio?

Me comunicar

Temos a impressão de que com inglês podemos nos virar em qualquer lugar do mundo, mas na China não é assim.

Fui em um local que dava informações para turistas em Shanghai e nem lá falavam inglês.

Quando cheguei na escola e vi o nível dos alunos não consegui aplicar as aulas que tinha preparado. Precisei de ajuda dos chineses para conseguir me comunicar com alguns alunos.

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Independente disso, percebia que eles gostavam de me ter por lá e todos se esforçavam nas aulas. 

Também, no final do intercâmbio, descobrimos que escola a estava cobrando dos alunos pelas aulas que os voluntários estavam dando, justificando que seria nosso pagamento. Infelizmente não conseguimos fazer nada, mas foi algo que nos chateou muito.

O que mais gostou? 

Da aproximação com os alunos.

Fiz um livrinho com várias cartinhas que eles me deram (recebi de presente, não pedi pelas cartinhas).

Alguns me falaram que tinha mudado a vida deles, outros me disseram que me amavam.

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Pediram para que eu assinasse a camisa deles, tirava fotos toda hora. Eles estavam muito felizes com a presença dos voluntários. Todos nos respeitaram muito, sempre chegavam na hora da aula, jamais levantavam a voz para nós.

Essa disciplina deles me marcou muito.

O que significou para você o trabalho voluntário?

Recomendo para todos, é uma experiência que te faz crescer e melhorar como pessoa.

Sabia de toda situação que passaria, de ficar no interior da China com um calor em média de 40 graus Celsius e com pouquíssimo conforto, mas fui com a mente pronta para fazer dar certo.

As crianças eram carentes mas não eram miseráveis. Elas não estavam acostumadas com pessoas de fora, tiravam fotos com a gente por não sermos fisicamente iguais a eles. Era muito divertido.

A hora de me despedir foi a mais triste. Fizemos um show de talentos e eles cantaram musiquinhas.

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Saber da vida deles também era muito marcante. A família chinesa se preocupa muito com os estudos, a ponto de não deixar seus filhos focarem em outra coisa. Tinham meninas que não podiam ter cabelo comprido para não perder tempo de estudo cuidando dele.

Hoje faria tudo de novo.

Como era a alimentação?

Eu gostava da comida, mas sou muito fácil de agradar nesse quesito. É tudo apimentado mas um tipo de pimenta diferente. Mas é preciso ter cuidado com o que comer, todos tiveram intoxicação alimentar e tiveram que ir para o hospital para tomar soro.

O tempero é outro também e os costumes de alimentação são incomuns. Eles comem macarrão e arroz de café da manhã.

Comprar comida também era barato, tinha muita feira na rua. Consegui comprar 5 quilos de lichia por 5 reais. E no supermercado comprava enlatados.

 

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