Remote Year Mês 3 : MEDELLIN

MÊS 3 : MEDELLIN

pablito e a restauração de uma cidade

 

OK, OK eu sei que estou um “pouco” atrasada com esse post que deveria ter sido escrito logo após o meu 3º mês de viagem ter terminado e está sendo postado só agora, no meio do 5º mês…MAS antes tarde do que nunca, né?

Minhas justificativas: trabalho + trabalho + um 4º mês em Lima com muito trabalho, e algumas viagens ao longo do caminho.

Portanto, voltemos a março e à Medellín: uma cidade maravilhosa, com uma história interessante e uma reputação ainda discutível, onde as montanhas estão ainda mais evidentes do que em Bogotá, maaaaas onde encontrei 30 dias de chuva. Adoro chuva, mas tenho que confessar que isso atrapalhou o ânimo de sair porque eu já sabia que iria chover em algum momento inconveniente, bem quando eu estava planejando voltar para casa ou quando nenhum taxi queria me levar para casa durante a chuva já que o meu apartamento era perto o suficiente para caminhar (mas localizado em uma subida de 90º – mas vide vista abaixo). De qualquer modo, vamos explorar:

Medellín, cidade mara localizada a 1520m de altitude e é a segunda cidade mais populosa da Colômbia, marcada por uma história de violência e superação – Para aqueles que estiverem planejando ir para a cidade eu sugeriria:

  • pesquisar um pouco a história da cidade e/ou
  • assistir Narcos – sim sim Pablito, o senhor da droga.

Uma vez em Medellín minha sugestão de museu seria o Museo Casa de La Memoria, o qual conta com um acervo digital mega completo e interativo sobre os tempos de conflitos armados e violência de Medellín, Antioquia e da Colômbia.

Ainda no tópico de museus, parada obrigatória na Plaza Botero e no Museu de Antioquia para ver as esculturas e obras do Fernando Botero, quem já mencionei em Bogotá no post #2. Sou apaixo pelo estilo dele e intrigada com a sua identidade única em um mar de mesmice.

 

 

Surpresas boas que a cidade me trouxe: No primeiro final de semana em Medellín tiver o prazer de reencontrar o Sebastián, um grande amigo que conheci há 4 anos e ele me levou para saltar de paraglide em San Felix (o que resultou em trabalhar o meu medo de altura e ver a cidade de um ângulo único – recomendo e fica a dica de que a paisagem é linda e é mais barato do que em qualquer outro lugar) eee no último final de semana eu tive a sorte de conhecer o Lucas, namorado de uma grande amiga hipster – sim Fê, você – que me mostrou uma parte da cidade que eu normalmente não procuro saber mais do que os meus olhos veem, e essa parte foi a revitalização de uma cidade através da arquitetura e de projetos culturais.

 

Como eu falei no começo, Medellín tem um histórico de violência, mas o governo vem se dedicando para melhorar essa imagem e tem conseguido – nos anos 90 os casos de violência eram quase 360 casos a cada 100 mil habitantes e esse número em 2006 foi reduzido para 39 casos na mesma proporção de habitantes e os projetos do governo têm grande parcela de culpa nisso.

Alguns exemplos destes projetos culturais que vi foram (i) as UVAs (que são Unidades de Vida Articulada) que aproveitam espaços e infraestrutura de tanques de água – os quais tinham alto índice de violência – e os transformam de forma a fomentar a cultura, responsabilidade social e a utilização de espaços públicos; e (ii) o sistema de Bibliotecas Públicas de Medellin, as quais oferecem muito mais que livros, elas são equipadas com auditórios, atividade voltadas à crianças, espaços para aulas, entre outros que têm como objetivo a restauração da comunidade.

O esforço do governo é bem nítido quando você anda pela cidade, seja por Poblado que é o bairro mais rico e internacional ou seja pelas Comunas (que são os nomes dados ao agrupamento de determinado bairros). É sempre estranho ver tanta disparidade dentro de uma cidade, ao mesmo tempo que Medellín ainda tem as favelas como no Brasil, eles têm meios de transporte muito mais modernos e limpos, como os Cable Cars (famoso bondinho).

Você consegue ter essa noção de disparidade, por exemplo, se você pega um cable car para ir ao Parque Arvi: OLAR à uma vista impressionante, composta de uma cidade grande, linda e verde, posicionada no meio de um vale, onde as favelas continuam expandindo para as montanhas e depois você se vê passando de teleférico por uma paisagem de verdes e mais verdes, para terminar esse “passeio” no parque com uma feira local e uma arquitetura moderna. É bem interessante ver essa mudança de paisagem e vale a pena ir no parque e fazer uma trilha com um guia, são longas, mas a vista é linda e a vegetação não é parecida com nada que eu tenha visto até agora e fiquei encantada – poderia não ter chovido, mas isso são outros 500.

 


Saindo da vegetação e voltando pra cidade: Poblado, bora falar de Poblado… um bairro extremamente internacionalizado e charmoso, andando por lá você já sabe exatamente que Medellín é uma cidade que está virando um dos destinos mais procurados por turistas, especialmente mochileiros, porque a quantidade de hostels que tem nessa área é surreal, assim como a quantidade de cafés e restaurantes – se eu listar um por um não valeria a pena, acho que é mais uma questão de andar pela cidade, ver algum lugar que te atraia (e vai por mim, são muitos) e se te atrair entra e experimenta…Aqui alguns dos meus cafés preferidos – e como sempre wi-fi friendly, porque sim isso virou prioridade: Charlee (é um hotel com um rooftop ótimo para drinks, trabalho e academia), Pergamino, Velvet (s2), Al Alma (café e brunch on point)

Comida: hmmmmm não virei a maior fã dos restaurantes que fui porque acho que falta tempero e por consequência sabor, no entanto, não vou generalizar porque paladar é discutível, mas vou sim recomendar um único restaurante que deixou todos os outros no chinelo e foi o Ajiacos y Mondongos, um lugar local, tradicional e que só conheci porque o amigo do meu pai estava na cidade e me levou lá para conhecer – eita, eu comeria lá todos os dias, mas isso significa virar uma pequena baleia, o que tenho tentado evitar. A comida é pesada, mas é a comida tradicional colombiana e é maravilhosa = achei o sabor colombiano que procurei por dois meses.

Além desse restaurante alguns que gostei também são esses: Natto, Oci e La Cantine. Sobre bares e onde sair, ok absolutamente todos os dias tem alguma coisa diferente pra fazer, de baladas escondidas (Vitoria Regia) até bares exóticos (La Chiquita – ou vagina bar, para os íntimo – e o Burdo) … Sei que é uma dica turística, mas se você estiver numa pegada de aproveitar parte dessa vida turística/boêmia sugiro um pub crawl que o hostel Happy Buddha organiza, são bares legais e o programa termina em uma balada interessantíssima e boa que eu não vou lembrar o nome. Não sair em Medellín não é uma opção.

 

 

Agora, saindo um pouco da cidade eu recomendaria passar um dia em Guatape, uma cidade há 3hrs de Medellín, com uma paisagem surreal, se eu tentar descrever eu não consigo, então segue uma foto do lugar preferido do Pablito para passar os verões. Essa vista aí é mara né? Sim, custou-me um fôlego e 30 min subindo +700 degraus #puglitifa no El Peñol.

Se você for pra Guatape você pode ir facilmente (e baratex) de ônibus ou você pode ser mais aventureiro e passar um dia na companhia de uma van hippie com um guia sensacional e ter uma experiência única… Vai por mim, vale a pena: “Do it in a Van”.

O lado negativo da cidade: Como eu disse, a chuva não foi a melhor parte, mas acho que estava em uma época estranha do ano, então vamos ignorar fatores climáticos, então um ponto adicional que não curti muito foi a sensação de não ser um lugar que eu me senti segura, sei que é uma sensação pessoal e cada um tem uma experiência diferente (especialmente sendo alta e ruiva não é fácil passar por “local”), então nada de abaixar a guarda, ok?

Por fim, em altos e baixos de Colômbia eu recomendaria 100% Medellín como destino de viagem e turismo, especialmente se você está buscando um ambiente mais internacionalizado e com uma história interessante, em Medellin você vai encontrar absolutamente tudo, da arquitetura ao verde, dos pub crawls de turistas até restaurante phynos e cafés hipsters. E se você for, dê uma chance pra todo o verde e trilhas que a Colômbia tem pra te oferecer, na minha opinião, a melhor parte.

Hasta Colombia, hello Lima.

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