Jovem participa de projeto para promover o turismo no Quirguistão depois de explorar o país

Na entrevista de hoje, vamos falar não só de um projeto diferente mas também de um país pouco conhecido, o Quirguistão.

A Mariana, que nos contou essa história, faz faculdade de jornalismo e já fez algumas viagens durante sua vida pelo CISV, que promove interação cultural entre jovens. Podemos imaginar o quanto ela já conhece de outros países.  No ano passado, ela estava buscando algo bem diferente e descobriu esse projeto pela AIESEC. O propósito era conhecer o país para promover o turismo nele. E qual melhor jeito de se fazer isso do que viver com o povo local no dia a dia?

Veja o que ela nos contou sobre essa experiência:

Como o projeto foi organizado?

O grupo era de 9 pessoas no total. Destes, 5 organizaram a viagem. O Quirguistão possui 7 regiões, nós conhecemos 5 delas. Eles foram bem organizados mas tiveram alguns perrengues.

Chegando lá, a equipe se dividiu por assunto. Tinha uma designer, um fotógrafo, eu como jornalista e assim por diante. Viajamos pelo país para fotografar e ver como eles viviam. Ficávamos na casa de locais mesmo ou acampávamos, isso durante 5 semanas.

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Grupo do projeto com os locais.

No país se fala russo mas as pessoas são muçulmanas em sua maioria. Como nos hospedamos nas casas do locais, conseguimos entender como era a cultura deles, participávamos de suas rotinas, comíamos a comida deles. E na hora de escrever sobre aquilo tudo, dava realmente para saber do que estávamos falando e descrevendo.

Depois de rodar pelo país, alugamos um apartamento na capital para publicar as matérias e construir o site de divulgação do país -> http://explorekyrgyzstan.net/

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Grupo com a van que viajamos.

Como foi para chegar no Quirguistão?

Não é um país de fácil acesso, a escala é por Istambul e de lá você pega um vôo para a capital do Quirguistão. Se você gosta de trekking e acampamento, lá é o lugar. Tudo muito diferente e não se vê turistas.

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Acampamento.

Como era a comida?

Eles comem muita gordura e muita batata, muito carneiro também. É engraçado (e estranho) porque você vê eles matando os animais que vão servir na refeição. Também serviam leite de cavalo. E era falta de educação rejeitar a comida que eles ofereciam, então tínhamos que comer e beber o que tinha.

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Tirando leite da égua.

Precisou de visto?

Antes de ir, me falaram que brasileiros não precisavam de visto. Mas descobri, depois de estar lá, que eles pedem visto para sair do Quirguistão. Soube de um menino da Romênia que acabou ficando 2 meses lá porque não tinha o visto.

Corri atrás para conseguir, as opções eram ou a embaixada do Brasil na Rússia ou a de Portugal no Quirguistão. Mas acabou que deu tudo certo.

O que mais gostou?

Dos lugares que fui. Pareciam pintura, são muito diferentes.

Um desafio é que não tinha onde tomar banho. Usávamos lencinhos umedecidos como opção para se limpar. E a temperatura varia bastante, à noite  chegava a 0 graus e de dia subia ao ponto de ficar bem quente. Mas não tinha o que fazer pois não tinha água, as vezes conseguíamos um balde de água e aí era banho com balde mesmo.

Teve um dia que fomos fazer uma caminhada em uma caverna, andamos 8 horas, fizemos escalada, alpinismo. Não tinha muita experiência, e depois quando mostrei as fotos para pessoas que entendiam um pouco mais, vimos que as cordas eram todas velhas. Não percebemos o tempo passando e quando vimos já era noite. Foi complicado mas rendeu a história.

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Lá, não tinhamos planejado onde seriam todas a pernoites, então precisávamos pedir estadia para os locais. Durante o verão, eles vão para as montanhas para alimentar os animais e ficam em barracas grandes chamadas de Yootas. Também tínhamos um guia que falava a língua e ajudava na comunicação.

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Uma das famílias.

O que aprendeu com tudo que viveu lá?

A lidar com diferenças e com uma cultura totalmente diferente. Lá, se uma mulher de 23 anos já não está casada, ela não casa mais.

É preciso se adaptar e aprender a ceder um pouco.

O que concluiu com essa experiência?

Já tinha feito muitas viagens pelo CISV, eles promovem mesmo essa interação cultural para que nós possamos ver como jovens de outros lugares do mundo vivem. E conforme você vai conhecendo eles e aprendendo, você perde qualquer preconceito e vai mudando. Podemos ver como é do outro lado. Vi como isso foi importante em minha formação e como isso ajudou quando cheguei em um lugar tão diferente culturalmente.

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Mãe e filho.

Viajar, não importa para qual destino, sempre vai lhe ensinar algo diferente que não se aprende em uma sala de aula. Hoje comparo essas minhas experiências e vejo que, com elas, amadureci mais rápido do que se não as tivesse vivido.

Veja onde fica o Quirguistão:

Veja também: Uma experiência de 2 semanas na África fazendo trabalho voluntário com crianças

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