Estudando em Singapura – como é viver diante de outra cultura e se acostumar a esse modo de viver

Destinos exóticos. Culturas admiráveis. Povo expressivo.

São coisas assim que normalmente encontramos quando vamos para o Oriente. E foi um pouco do que a Viviane, 22, descobriu quando fez seu intercâmbio para Singapura.

Uma experiência enriquecedora, com muitas histórias interessantes para compartilhar.

Olha só o que ela nos contou:

Motivo

Sempre quis morar fora, e queria fazer algo diferente.

Já tinha ido para a Europa – tenho família e passaporte francês – e queria fazer um intercâmbio que me agregasse.

Sempre quis conhecer a Ásia e descobri que a minha faculdade do Brasil tinha convênio com a Singapore Management University. Queria ir por convênio com a faculdade, e não por conta própria. Principalmente por estar indo para oriente, queria ter uma segurança em saber que teria auxílio caso precisasse.

Comecei a pesquisar sobre a cultura, a cidade, a faculdade e lugares próximos para viajar. Quanto mais pesquisava mais queria ir para lá.  

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Curso

Eu poderia cursar até 4 matérias, que é o limite para intercambistas, acabei fazendo 3 matérias. A faculdade lá é muito grande, existem muitos cursos também, mas eu tinha que ser aprovada para fazer qualquer matéria que quisesse frequentar. Fiz duas focadas em Business e outra de Gender Politcs focado na Ásia.  

Cada aula durava 3 horas. Uma na segunda-feira, outra na terça-feira e outra quarta-feira.

Lá, eles prezam muito pelo aprendizado através da discussão e debate em aula, então tinha que se preparar para participar bastante da aula.

Como você se inscreveu?

Foi tudo feito pela minha faculdade do Brasil. Eles organizaram tudo, me falaram quando precisava apresentar os documentos. Também não precisei juramentar nada, o que facilitou o processo.

Todos os tramites foram resolvidos pelas duas universidades, a única coisa foi que eu precisei foi chegar antes em Singapura para buscar meu visto e a carteirinha de estudante no ICA (Immigration & Checkpoints Authority) – como se fosse um poupa tempo deles.

Como achou moradia?

Existem vários jeitos de achar moradia, e a maioria das pessoas busca dividir um apartamento por causa do custo elevado.

Mas queria morar sozinha. Procurei um corretor lá que me mostrou algumas coisas que procurava, e também pesquisei apartamentos pela internet.

Acabei encontrando um que gostei e fiquei.

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Como era seu dia a dia? 

Maravilhoso!

Amei morar sozinha. Adorava fazer as coisas de casa e amava meu apartamento.

Tinha aula três vezes por semana. Independente dos dias livres, tinha muito trabalho para fazer para a faculdade, então ía para a biblioteca (que era o máximo) para estudar.


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No tempo livre saía para conhecer a cidade, sempre tinham programas diferentes e lugares novos para visitar.

Ía em templos (lá tem muito hinduísta e budista, além de outras religiões devido a grande miscigenação), também ía em Foodcourts – várias mini-cozinhas com comida no meio da rua, com todos os tipos de alimentos –  sempre experimentava comidas locais.

A comida lá é conhecido pela mistura nos temperos, tudo muito apimentado e não era tudo que era gostoso. Minha primeira refeição lá não consegui comer de tanta pimenta (isso que pedi sem), mas depois me acostumei.

O que fazia nos finais de semana?

Meu intercâmbio se dividiu em duas fases.

Nos primeiros quatro meses (de Janeiro a Maio), eu ficava só em Singapura nos finais de semana. Sempre tinha alguém na cidade e a vida noturna lá é uma das mais reconhecidas no mundo. Foram as melhores noites da minha vida. Os singapurenses são muito focados no trabalho e estudo, então acabam que não saem muito. Mas tem muita gente morando lá que não é de lá, por isso as baladas são tão fenomenais. Saía pelo menos quatro vezes por semana.

Tinha um amigo que estagiava em uma empresa que dava festas lá, então sempre sabia o que ía ser legal e onde ir. Outra coisa bacana é que as festas eram nos prédios, e normalmente do 55 andar em um terraço aberto, então além da festa ainda tínhamos a vista da cidade inteira, era um visual incrível.

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E na segunda fase, de Junho a Agosto, comecei a viajar pela Ásia, quase não fiquei em Singapura. Minhas amigas do Brasil foram me visitar depois também para viajarmos mais.

Fui para Bali, Índia, Thailandia (com 11 amigos), Vietnã, Cambodia, Malásia, Hong Kong e vários outros lugares.

Um desafio?

O primeiro foi a comida, que demorei para me acostumar. E não só a comida de rua mas como a comida de casa – sou péssima para cozinhar. Mas no final, amava a comida.

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A cultura foi outro desafio. Conseguir encontrar pessoas com os mesmos valores e personalidade que você.

Me marcou muito a diferença social entre homem e mulher lá. Foi um ‘balde de água fria’ de realidade. Lá você sente medo por ser mulher – em Singapura nem tanto, mas em países próximos era muito chocante.

Na Índia você anda pelas estradas e só vê mulheres trabalhando no campo. Isso porque os pais não as colocam em escola porque sabem que elas vão casar e o marido que vai tomar conta delas, então eles não vêem nem a necessidade de mandá-las estudar. Elas não tem opção do que fazer na vida porque nunca tiveram oportunidade.

Outros países, usávamos roupa cobrindo o corpo todo por serem territórios muçulmanos. Não tive nenhum problema, mas é algo que intimida.

O que mais gostou? 

Das amizades que fiz lá, pessoas de vários lugares do mundo.

Sem elas não seria quem sou hoje.

Na segunda fase do intercâmbio, a maioria estudantes de outros países foram embora e eu fiquei. Foi o momento que dei mais valor para as pessoas de lá. Já tinha feito um esforço antes para não conviver só com intercambistas, para que pudesse entender o povo e a cultura de lá. Viver a realidade deles. E nessa segunda fase, mergulhei no mundo deles, mais do que antes.

O que evitar? 

Evite ficar na sua ‘caixa’. Se você quiser, você consegue viver como se estivesse morando em Nova York, você vai encontrar pessoas e lugares assim. E se você se manter nesse tipo de programa, vai se divertir, mas vai perder uma oportunidade tão enriquecedora, que não vale a pena.

Todos os programas locais que eu fiz, fizeram a diferença na minha experiência lá.

Eu sabia que para tornar tudo tão especial, eu teria que me jogar de cabeça no desconhecido. Mas depois que você pula nessa imensidão, você aproveita muito mais.

Dicas úteis?

Não deixe de viajar. Singapura é um lugar muito fácil e barato para viajar.

Todos falam inglês e te tratam bem, fui muito bem recebida nos lugares que fui. E lugares com histórias tristes, você vê pessoas que tiveram acidentes com minas, e mesmo assim, sempre com um sorriso no rosto.

 

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