Embaixadora de seu país: o programa de intercâmbio que envolve mais do que estudo!

O Go Along falou na semana passada como se preparar para fazer faculdade na Alemanha, com o Abitur. Que tal saber como tudo funciona com quem está fazendo intercâmbio no país da cerveja e cursando o Abitur?

A Renata tem 18 anos. Há 3 meses ela está morando em Oldenburg, estudando no Altes Gymnasium – Oldenburg e vai ficar até completar um ano.

Além de falar como é se preparar para uma universidade, vamos contar como a Renata foi parar lá, um programa muito interessante por sinal. 

Veja só!

Motivo

Sempre quis viver em outro país pela experiência e pelo idioma. Também queria ficar em casa de família.

Tive curiosidade de ver o mundo de outros olhos.

Como você descobriu o programa?

Sempre soube que iria fazer intercâmbio um dia. Fui em algumas agências mas nunca gostei muito, achei que as pessoas não sabiam responder o que queria saber. Queria também que tudo fosse nas minhas regras, para que fosse exatamente o que eu buscava.

Foi então que descobri o programa de intercâmbio do Rotary. Mas na época eles me falaram que estavam sem o programa, então continuei pesquisando. Se passaram 4 meses quando recebi um email do Rotary me avisando que o program tinha voltado.

Para poder participar, depois da inscrição, passei por entrevistas para que eles avaliassem se eu estava apta a participar do programa. Depois disso, eles reúnem todos os candidatos para fazerem uma prova e entrevistas. A lista dos países vem depois disso, e de acordo com a sua nota você tem prioridade para escolher seu destino.

Outro fato muito bom é que você não paga pelo curso.

Os únicos custos que tive foram as passagens aéreas, seguros, documentos de viagem (passaporte e visto) e dinheiro para despesas gerais para gastar na Alemanha.

Achei bacana por não ser só um intercâmbio, mas um programa onde você viaja como embaixadora do seu país, ajuda com trabalho voluntário (por exemplo, minha próxima tarefa é montar um programa para arrecadar dinheiro para o Ebola), divulgação do Brasil e outras tarefas. E ainda recebo uma pequena mesada deles, de 80 Euros por mês.

Outra coisa que gostamos é que a minha família também entra no processo. Enquanto eu vou para a Alemanha morar em uma casa de família, outro estudante vem para minha casa morar no Brasil. No caso, uma Suíça que chegou um mês antes de eu viajar, e a experiência está sendo muito boa por enquanto.

Minha mãe acha que isso ia agregar valor para eles também. Ela acredita que todo mundo tem algo a lhe oferecer.

O que acha do Abitur?

O curso possui matérias normais e outras como política, religião, ética e outras. Eles tem muita prova mesmo, que são elas que vão definir sua entrada na faculdade.

Existe também uma divisão de escolas, o abitur só pode ser feito em gymnasiums.

Acho o processo muito bom, pois ele não é feito só em uma prova e o avalia melhor durante os 2 anos de duração. Diferente do vestibular, são muitas provas que os estudantes precisam fazer, e todos impressionantemente empenhados, sempre querendo participar.

Como é seu dia a dia? 

A cidade é relativamente pequena, tem 170 mil habitantes. A escola fica à 2 minutos de casa, e o centro da cidade à 5.

As aulas começam de manhã, das 7h50 até às 13h15, de segunda à sexta. Mas o horário tem várias janelas durante o dia. Também só preciso fazer as provas de idioma. Depois volto para casa para almoçar.

Três vezes por semana, durante o período da tarde, tenho aula de alemão com os outros intercambistas. Nos dias que isso não acontece, saio com amigos.

Depois das aulas, ando de bicicleta por uma hora, moro perto de uma floresta, o que permite um passeio muito agradável.

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As segundas-feiras faço aula de dança perto de casa, o que é bem divertido. As alemãs não usam roupa de ginástica, usam calça jeans, acho engraçado.

E mais à tarde não perco as novelas do Brasil, que assisto pelo globo.com.

O que faz nos finais de semana?

Sempre vou para algum bar ou em alguma festinha com os amigos. Minha família aqui não cobra muito que eu passe tempo com eles no final de semana, o que é mais tranquilo.

Viajei algumas vezes. Fui para Londres quando minha mãe e irmã do Brasil que vieram me visitar. Tenho uma tia brasileira que mora lá.

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Fui para Sylt também, uma ilha no norte da Alemanha, com a minha família alemã.

E tenho planos para viagens ano que vem.

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O que acha de morar em casa de família?

É a primeira vez que moro fora por um longo tempo. Achei que se estivesse em um internato iria me sentir muito sozinha. Gosto da convivência com a família.

Aqui eles me perguntam muito sobre meus horários, com quem vou ou quando volto. Sempre respeito os horários limites que eles me dão, e aviso quando vou me atrasar e o porque.

Estranhei isso um pouco pois não é algo que tinha que fazer no Brasil.

Desafios? 

Já falava alemão, mas o idioma é difícil, ainda não entendo 100% das aulas, o vocabulário é muito específico.

Também falar tantas línguas ao mesmo tempo, com a família é em alemão, com os intercambistas é em inglês ou espanhol e as vezes em português quando falo com alguém do Brasil.

O que mais gosta?

Aqui é a cidade da bicicleta, é tudo feito para se andar de bicicleta na cidade.

Adoro essa liberdade e não ter que pegar trânsito.

Também cresci achando que morar em cidade pequena era inadmissível, e vi que elas, na verdade, são muito incríveis. Tenho tudo que preciso aqui.

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O que evitar?

Muitas pessoas falam para evitar tanta convivência com outros intercambistas, mas acho que eles fazem parte da sua experiência.

Evite criar atrito com a família que te recebe. Lembre-se que você não está indo para ficar em um hotel, você faz parte de um mecanismo de uma família. Se eles te falam não, respeite. Uma hora eles vão te compensar.

Viva de um modo que vai deixar saudades, e não alívio para quando for embora. 

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Dicas úteis?

Falar inglês ou outro idioma que alguém irá te compreender. As pessoas que chegaram sem falar alemão tiveram mais dificuldade.

Tente se preparar antes para pelos menos falar o básico de alguma língua, aqui todos falam inglês.

Não se prenda tanto ao Brasil. Tanto você como seus amigos vão seguir sua vida e rotina. Vão se divertir sem você e você vai se divertir sem eles. Não pense que isso é uma troca, é algo natural e que agrega.

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