Em um projeto social, ele foi para Budapeste dar aula para crianças pequenas

Jovens que tem a coragem para ir para locais diferentes e trabalhar em um projeto social, normalmente possuem boas histórias para contar. Com valores especiais, conhecimento e aquela vontade de fazer a diferença.

Hoje conversamos com o Zeg, que ficou do mês de Janeiro até o mês de Março em Budapeste, na Hungria, trabalhando em uma escola multilíngue com crianças de 3 a 5 anos de idade.

Zeg é professor de línguas em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, já tendo fluência em Francês, Espanhol, Inglês, Português e Romeno. O que ajudou sua escolha de trabalho e destino.

A escola que trabalhava em Budapeste, a Picoti, fica em um bairro de famílias de classe média. As crianças chegavam as 8h da manhã e íam embora as 5h da tade. Independente de qualquer situação, elas eram muito carentes de atenção. Talvez por muitas serem estrangeiras.

Veja o que mais ele nos contou:

Como você descobriu o curso?

Pela Aiesec. Queria uma vaga interessante, pensava em ir trabalhar com inglês no exterior mas nunca achei que seria na Hungria.

Até que um integrante da Aiesec me mostrou essa vaga, eu quis muito e decidi ir.

Como achou moradia?

A Aiesec fornece acomodação gratuita e alimentação nas ONGs ou na escola. Minha residência ficava na própria na escola, então não tive que gastar dinheiro com transporte.

Dividia o quarto com um menino. Ele era brasileiro também.Tinha entrado em contato com ele antes da viagem já que íamos morar juntos. Então, lá ficamos amigos.

Como era seu dia a dia? 

A gente acordava um pouco antes das 8h, descia e tomava café. De manhã fazíamos atividades recreativas para acordar as crianças. Trabalhavamos com atividades lúdicas, pois elas chegavam cansadas. As outras mais novinhas não queriam brincar, e trabalhavam com, por exemplo, o corpo humano e ensinávamos as palavras do corpo em francês. Com vocabulário e com características físicas. Tinham crianças francesas, as quais nos comunicávamos em inglês. E as crianças húngaras, falávamos em francês.

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Crianças

 

Íamos para o parquinho as 11h e ficávamos tomando conta e brincando com as crianças. Uma recreação mesmo.

Depois voltava para refeição, ajudávamos elas com tudo. Fazia almoço com as crianças, ajudava eles a se servir e se alimentar. Depois elas tinham 2h para dormir.

De tarde fazíamos danças, músicas ou alguma coisa mais da nossa cultura ensinando coisas do Brasil. Fazíamos teatrinho a tarde, tudo bem pra se mexer e brincar. A escola tinha material e ajudava na organização das atividades.

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Brincando

 

Depois que as crianças íam embora eu pegava um ônibus até um terminal, de lá pegava um bondinho e aí um trem para chegar no centro. Esse trajeto demorava uns 45 minutos. Então ficava passeando e conhecendo o centro, é tudo maravilhoso. As vezes ía sozinho ou ía com amigos da Aiesec.

A Aiesec tinha um membro deles lá que nos recebeu e organizou alguns encontros. Ela deu dicas da cidade, lugares para viajar, conheci a casa dela. Foi bem interessante. Inclusive, esse trabalho de receber os voluntários se tornou meu trabalho agora na Aiesec de Passo Fundo.

O que fazia nos finais de semana?

As vezes programava algo com os brasileiros, éramos 12 no total, vindos de todos os lugares do Brasil. Aí combinávamos viagens para outros países. Em 3h30 você pegava um trem e estava na Bratislava e mais um pouco estava em Viena.

E alguns outros eu ficava em Budapeste para conhecer a cidade de dia. Durante a semana eu saía do trabalho e já estava escuro.

Um desafio? 

A língua.

Houveram momentos que não consegui me comunicar com as pessoas e precisava me virar sozinho. No meu bairro tinha um mercadinho, cheguei lá e falei em inglês e ninguém mais sabia falar, tive que me virar de outro jeito. Mas gostei da experiência.

O que mais gostou? 

Gostei muito da comida. Todo prato húngaro começa com uma sopa, o Goulash, e tudo tem pimenta, que não forte mas é boa. Eles usam muita páprica também, tem as cachaças que eles fazem de frutas, tudo muito bom.

Além da parte gastronômica, vi muita coisa histórica que me atraiu muito (a cortina de ferro, museu do holocausto e mais). É um país muito rico em história. Todos os lugares da cidade possuem pedaços do passado.

Quem gosta de história vai amar a Hungria!

O que evitar? 

Nós pensamos que Europa é um local seguro. Lógico que não se compara com o Brasil, andava a pé sozinho no meio da noite e não tive problema. Mas a gente vai com a imagem de que tudo é seguro, e esquecemos que existem lugares na cidade com menos segurança.

Logo quando cheguei, tinha um par de botas que não ía mais usar. Decidi largar eles em uma praça, caminhei 20 metros e quando olhei para trás a sacola já tinha sumido. Também falavam pra evitar falar inglês em alguns lugares para não entregar que era turista.

Dicas úteis?

Fui no inverno, então é bom levar casaco. No começo a temperatura estava tranquila, aí quando começou a nevar e fazer menos 14 graus celsius o frio pegou.

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Neve Hungria

 

Eu sou uma pessoa interessada em idiomas, mas se você vai para algum lugar que não conhece a língua, pesquise como falar algumas coisas para não se sentir tão perdido e evitar problemas.

Na Hungria, a educação deles exige falar sempre “por favor” e “obrigado”. Então coloque isso na rotina se for pra lá.

Posso dizer que foi uma das experiências mais legais que já vivi. Foram 2 sonhos realizados, um em participar de um projeto social e outro em utilizar o que aprendi na universidade, no exterior. Voltei outra pessoa depois dessa viagem. Hoje planejo viver algo mais profissional no exterior. Estou planejando um mestrado na França. 

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