Em busca de algo diferente – como foi morar na Lituânia

Um lugar diferenciado e exótico para se fazer intercâmbio.

Foi isso que mais atraiu o Adriano, 22, a escolher a cidade de Vilnius na Lituânia para morar e estudar durante 7 meses (de Janeiro a Julho).

Integrante dos Países Bálticos, o país se localiza no centro-norte da Europa e sua língua principal é o Lituano (apesar de encontrar muitas pessoas falando Russo, graças à proximidade e relações com o país próximo). Este local é lembrado pelas inúmeras igrejas espalhadas por seu território e também por seu inverno rigoroso.

Aqui no Brasil, Adriano é estudante de Relações Internacionais na PUC-SP e graças aos acordos existentes com faculdades no exterior, ele buscou dentre as opções algo realmente diferenciado e que fosse agregar valor para seu futuro profissional e pessoal.

Veja o que mais ele nos contou:

Onde estudou?

Na Vilnius University.

A universidade tinha uma infra-estrutura muito boa, tudo com tecnologia de ponta, aquecimento, ótimas cadeiras e tudo impecável. Os prédios da faculdade eram espalhados pela cidade, além de um campus principal que tinha um bom tamanho.

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Prédio de Política e Relações Internacionais da faculdade

As aulas eram muito boas. Os professores falavam inglês fluente e eram muito preparados e experientes para ensinar o assunto que davam.

Tive um professor que era ex-ministro de energia do país.

Nas aulas, existiam bastante atividades com multimídia, negociações e debates. Precisávamos nos preparar e interagir. Também não dava para faltar, não só por perder matéria mas também tinham muitos exercícios para nota em sala e não tinha como repor depois. 

Fiz 4 matérias que deveriam ser pré aprovadas pelo coordenador da PUC, para garantir a validade do semestre (Na PUC, um semestre fora equivale a um semestre no Brasil, então você não precisa trancar o curso). Tive que fazer 2 provas para ser aprovado, uma de inglês e outra prática com assuntos de RI. Depois disso ainda tem uma entrevista com o coordenador. 

Como é um semestre válido e existe um acordo entre as faculdades eu só precisei continuar pagando a PUC, que ela era responsável por todos os trâmites.

Porque Lituânia? Como se comunicava (língua)?

Lá todos falam a língua local e o Russo, mas não são todos que falam inglês na rua. Para isso precisa estar acompanhado de alguém que falasse o lituano – que é muito difícil de aprender. 

Como lá é diferente do resto da Europa?

As pessoas na Lituânia são mais frias que o resto dos europeus.

Foi um choque cultural grande para mim.

No primeiro dia, quando cheguei, fui cumprimentar umas meninas e dei um beijo na bochecha, como no costume brasileiro. Elas ficaram chocadas, se afastaram e explicaram que não era assim que se fazia lá.

No ônibus, por exemplo, ninguém fala com ninguém. E se você fala mais alto, eles reclamam. Eles são bem frios e reservados. Essa é a cultura deles. Para ganhar uma proximidade é preciso respeitar e esperar uma abertura de cada um para quebrar essa barreira.

Como era seu dia a dia? 

As aulas eram de terça a quinta. Escolhi um horário, dentro das matérias possíveis, que pudesse viajar bastante. Queria conhecer lugares diferentes e viajar de sexta à segunda.

Nos dias que tinha aula, precisava ler os textos preparatórios, que eram bastante complexos mas necessários para os trabalhos.

A vida noturna acontecia em lugares internos e por causa do frio (de -20 a -30 graus Celsius) as pessoas também evitavam mudar de lugar na mesma noite. Nós íamos normalmente para baladas de intercambistas, pois baladas lituanas eram mais difíceis de entrar. Tinham lugares que só locais podiam entrar, sem o documento lituano não era permitido.

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Como encarou o clima?

Cheguei lá no inverno e foi muito complicado. Precisava usar roupa térmica e mais dois casacos. E isso influenciava no humor de cada um, tinha dia que não dava pra sair de casa.

As vezes o frio ficava tão forte que não dava para andar na rua, precisava pegar táxi ou ficar entrando de lugar em lugar para se aquecer. Essa foi a pior parte do intercâmbio porque te restringe muito nas atividades do dia.

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Desafios?

O clima e a cultura deles.

Você precisava entendê-los e respeitá-los para ganhar qualquer proximidade.

O que mais gostou?

Das amizades que fiz. Pessoas de todos os lugares da Europa.

Entre nós, tinha franceses, holandeses, tcheco, polonês, duas espanholas, dois italianos, um croata e um sueco. Nós viajávamos sempre juntos, morávamos no mesmo dormitório, cozinhávamos juntos. Formamos uma família.

Essa convivência me faz falta até hoje. Tento falar quando posso com todos por Skype, mas é difícil pela diferença de horários.


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O que evitar?

Não se imponha contra o jeito deles.

Tente respeitar. Não adianta querer explicar como é a cultura brasileira que para eles não importa. É preciso esperar por uma abertura para conversar e se aproximar.

E esse é o jeito deles, não estão sendo mal educados.

Dicas úteis?

Se for no inverno, leve muitos casacos.

Aprenda a beber Vodka. Eles tomam muito, principalmente para esquentar e é mais barato que água.

Com 6 anos de idade eles já tomam shots para esquentar antes de brincar do lado de fora.

Atenção nas baladas. A maioria das meninas falam inglês porque viajam mais e querem conhecer pessoas de fora. Os meninos já não falam tanto e acabam arranjando briga por verem elas conversando com outras pessoas que não sejam locais.

As pessoas nunca pensam em ir para a Lituânia, mesmo que por turismo. Mas é um lugar que vale muito a pena conhecer. É algo totalmente diferente, com cultura, festas e gastronomia únicas.

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Se dedique a entender e respeitar a cultura deles. Precisa de paciência para que eles queiram te entender e aí sim você se aproximar.

A cidade de Vilnius também é linda. Com muitas igrejas e uma paisagem incrível.

1 Comentários

  1. Josesays:

    Percebeu alguma atitude preconceituosa/racista por ser brasileiro? Quais empregos brasileiros conseguem? Têm muita violência?

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