Ele se mudou para Portugal e agora trabalha para ser um nômade digital

O estilo de vida de um nômade digital vêem ganhando espaço na mente de jovens. Afinal, porque deixar que o trabalho te impeça de viajar se você pode viajar e trabalhar ao mesmo tempo?!

O Murilo, com quem falamos hoje, descobriu esse modo de viver depois que se mudou para Portugal. Ele se encantou com tudo que o mundo tem para mostrar e oferecer.

Como viajar te traz conhecimentos, vindo dos próprios lugares e das pessoas que conhecemos também, ele entrou em contato com esse modo de viver e decidiu adotá-lo para si mesmo. Veja os desafios e oportunidades que o Murilo encara:

O que te fez querer sair do Brasil? Qual foi a motivação?

Desde de adolescente já tinha esse sonho de viajar, conhecer outras culturas e países. Por causa da minha carreira profissional, deixei isso um pouco de lado. Até que minha namorada se mudou para Alemanha e um amigo para a Austrália. Foi quando percebi que se deixasse isso de lado a hora ía passar, então resolvi focar.

Porque escolheu Portugal?

Primeiro pela facilidade de acesso ao país, sem precisar de visto de trabalho ou de estudante. Ele abre as portas para brasileiros por causa de um acordos que nossos governos tem. Mas principalmente pelo fator de tranquilidade de se morar num país para conseguir legalização.

Sou muito ligado a praia e mar, isso influenciou bastante.

Quais os maiores desafios que tem enfrentado?

Em alguns casos tive problemas de preconceito. Na maioria, os portugueses são muito amigáveis, mas pelo histórico de alguns brasileiros que fizeram algo de errado aqui, isso criou uma situação as vezes desagradável. Eles tem um pé atrás com a gente.

Inclusive tentei uma vaga de trabalho na empresa de um amigo espanhol, mas ele não conseguiu pois os portugueses não gostariam de ter um brasileiro vendendo um serviço pra eles.

E sabendo que estamos em uma situação mais vulnerável, precisando trabalhar e tudo, muitos empregadores abusam desse fato e exploram o trabalhador. Tanto pelo excesso de horas de trabalho como pelo baixo salário. Com tantos imigrantes, vindos do mundo todo, a concorrência é grande. Isso por serviços mais manuais, pois trabalhar em um escritório sem o visto é muito difícil.

Como encontra moradia?

Quando decidi ir para Portugal, comecei a fazer pesquisas pelo Facebook em sites de intercâmbio. E por um grupo desses, conheci um senhorio que aluga quartos. Foi o segundo contato que fiz e fechei tudo antes mesmo de viajar. O preço foi acessível e a localização é boa.

Em Agosto, comecei a viajar pela Europa e desisti do quarto, então estou sem residência fixa por enquanto. Mas como conheci bastante gente e organizei encontros entre brasileiros, tenho mais facilidade de ficar em casa de conhecidos ou conseguir um novo lugar.

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Portugal

 

Como consegue os trabalhos como nômade digital? Onde se inspirou para levar a vida nesse estilo?

Depois de um tempo aqui na Europa conhecendo lugares e pessoas, fui apresentado a esse estilo de vida dos nômades digitais. Nunca tinha pesquisado muito sobre o assunto, mas criei interesse então fui atrás.

Já tive um site no Brasil de entretenimento, tenho prática em escrever e falar sobre viagens. Então resolvi me aprofundar nisso através de blogs e sites que passam informações de trabalho e freelas na internet.

Além disso, estou me candidatando a algumas vagas na Alemanha, como voluntário em troca de estadia, ou para trabalhar em hostel.  

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Como está ficando sem visto?

Meu visto já passou da validade. Mas como não tem tanta fiscalização, a não ser que você entre em algum problema com a polícia ou precise ser hospitalizado, estou correndo o risco.

Como está o processo pra legalizar o visto?

Por enquanto não estou correndo atrás disso, mesmo correndo um risco. Em Portugal, é possível fazer a legalização através de um contrato de trabalho ou por reagrupamento de família.

Depois que conseguir um contrato de trabalho é preciso marca uma reunião no SEF (Serviço de Estrangeiro e Fronteiras) para que eles analisem seu caso. Normalmente, eles diriam que você precisa contribuir de 5 a 6 meses de impostos para receber uma autorização de um ano de residência.

É algo controverso, pois você precisa ficar ilegal para depois acertar e legalizar tudo. E mesmo assim não dá para saber se vai conseguir o visto. Além de ter de pagar uma taxa que pode ser de 400 a 700 Euros, que seria uma multa por ficar ilegal no país.

Gosta mais de morar aí do que no Brasil? 

Sim. Mas o Brasil sempre vai ser meu lar, é onde vivem meus amigos e família. Mas a experiência de vida de conhecer países diferentes, culturas, como são mais organizados e como as coisas podem funcionar de outro modo é incrível.

É a primeira vez que moro sozinho, vendi tudo que tinha, acertei as coisas no meu emprego para juntar economias e poder viajar.

E a experiência de conhecer isso tudo é viciante e vale muito a pena. Parece que quanto mais você conhece mais quer conhecer. E por enquanto quero continuar viajando.

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O que sente mais diferença entre Brasil e Europa?

Europa é muito justa. Não só em questão de valores de bens mas como pessoais. Você se sente mais seguro, sente as pessoas mais honestas em termos de prestação de serviços e amizades, dá para confiar mais nelas.

Aprecio também como eles valorizam o bem cultural de cada país. Sua história e manter esse patrimônio intacto. No brasil se enxerga muito pouco disso. Não temos tantas coisas como na Europa, por ser um país novo, mas o pouco que temos não damos o mesmo valor.

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Torre de Belém

 

O que planeja para os próximos meses?

Estou definindo ainda. Vou ficar na Europa até Janeiro ou Fevereiro do ano que vem e depois preciso voltar para o Brasil para finalizar algumas coisas que ficaram pendentes. Aí pretendo ficar até regularizar meu visto e poder voltar para a Europa.

Planejo ir para Ásia e Austrália também. E por isso estou me dedicando em ser um nômade digital, para viajar e trabalhar ao mesmo tempo. 

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2 Comentários

  1. Marianne Migssays:

    Que orgulho desse amigo ❤

  2. Evander Fábriciosays:

    SURMAAAAAAA

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