Ela passou 5 semanas como voluntária no Camboja trabalhando em uma escola

Conversar e entrevistar jovens aventureiros que viajam pelo mundo é o melhor modo de descobrir informações sobre a vida fora do Brasil.

Além de serem histórias inspiradoras, podemos repassar dicas para outras pessoas que também queiram viver algo parecido.

Hoje, falamos com a Ana Paula, que passou 5 semanas no Camboja trabalhando com crianças carentes em uma escola, sendo professora de inglês. Ela mostrou, que além de sua vontade de ajudar ao próximo, que existem diversas pessoas e organizações que podem te ajudar nesse processo, por simplesmente saber da importância de ser voluntário.

Veja o que mais ela nos contou!

Como você descobriu o curso?

Eu já estava querendo bastante fazer trabalho voluntário, porque também tenho 4 meses de férias da escola. Achei em um grupo do Facebook, uma organização de Washington chamada UBelong. O preço deles, quando vi, era de $735 dólares por 5 semanas. Estranhei e chequei o FAQ (Perguntas Frequentes) explicando que o preço deles era mais barato por não ser um “volunturismo” e que a ideia deles era realmente incentivar as pessoas a fazer trabalho voluntário.

Pesquisei bastante, mas tinha achado pouco informação sobre eles na internet. Por ter poucas avaliações e todas positivas, desconfiei um pouco.

As passagens não estavam inclusas nesse preço. Mas eles passaram alguns sites que vendem passagens com desconto para quem vai fazer trabalho voluntário. Um deles era oFly For Good. Para isso, você recebe um código da instituição na qual irá trabalhar, que precisa ser associada deles, e eles te mandam uma cotação.

Deu tudo certo e gostei bastante do suporte que a agência deu.

Como você se inscreveu?

Tudo pela UBlong. Ou você faz online ou em Washington.

Respondi um application falando de mim. E mandei tudo online.

Aí eles podem te aceitar ou te recusar. Até que um dia recebi um email de uma mulher, chamada Bárbara, dizendo que seria minha mentora e que eles tinham me aceitado.

Paguei tudo por Paypal. Depois eles me enviaram um arquivo em PDF e um filme com tudo que eu deveria saber sobre o Camboja, com telefones básicos e algumas frases importantes para decorar. Me instruíram também a imprimir esse papel e andar sempre com ele por lá no caso de qualquer emergência.

Como achou moradia?

A UBelong que passou tudo. A casa se chamava Star Kampuchia.

Moradia e as 3 refeições estavam no pacote.

Os únicos problemas eram os mosquitos e o calor. Tinha ar condicionado no quarto mas custavam 6 dólares a mais por dia. Mas como dividia o quarto com mais 3 pessoas, e elas não quiseram, também não quis pagar sozinha.

Como era seu trabalho?

Dava aula de inglês para as crianças.

Era uma escola interna, onde as crianças moravam por não ter família, ou pela família não ter condições de sustentá-las ou porque as famílias moravam no interior onde não tinha escola.

A escola era a Centre for Children’s Happiness (CCH), Camboja. Ela começou com o trabalho de um rapaz que também era órfão e trabalhava em um lixão. Quando ele cresceu, quis tirar outras crianças dessa mesma situação e conseguiu investidores na Suíça e no Canadá. Com o tempo a escola foi crescendo e recebendo cada vez mais crianças. Hoje é  bem estruturada, com muitos professores mas as condições de infra-estrutura ainda são precárias.

A cada mês a escola mudava os horários das aula. Então comecei dando aula durante o período da tarde para crianças da séria de 3 à 6. Como cheguei e peguei uma transição de mês, e já tinha me acostumado com as crianças, consegui mudar de horário junto com elas.

Acordava as 6h e as 11h da manhã já estava livre. Até que comecei a passar o dia inteiro na escola, também não tinha muito mais o que fazer, então preferia assim.

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CCH – Camboja

O que fazia nos finais de semana?

A rotatividade dos voluntários era grande, eles chegavam a cada duas semanas e ficavam pouco tempo. Então ou viajava com eles ou ficava lá para descansar.

A casa que estávamos hospedados tinham cerca de 50 pessoas. Dessa casa apenas um menina trabalhava na mesma escola que eu. Então os voluntários estavam bem espalhados, mas sempre tinha alguém para combinar o que fazer nos finais de semana.

No primeiro andar da casa ficava o escritório, responsável pelos voluntários, e os outros andares eram quartos para nos hospedar.

Conheci muitas pessoas, inclusive dois brasileiros lá. Tinham pessoas de 50 anos de idade.

Percebi que independente de idade ou nacionalidade, a maioria das pessoas lá, estavam passando por um momento de transição em sua vida pessoal. Ou tinham saído de um relacionamento ou de um emprego.

Como foi conviver com as crianças?

Tinham dias que era difícil de ver a história e a vida delas.

Uma vez uma das crianças chegou com um olho roxo e disse que tinha brigado. Eu ficava preocupada e mandava foto do machucado para minha mãe, que é médica, e me falar o que achava. Mas não ajudava muito porque elas não conseguiam explicar exatamente o que tinha acontecido em inglês.

Outro dia um garoto estava com o dedo inchado por causa de uma picada que havia infeccionado. Eu dava gelo quando podia, mas a diretora dava um arroz quente para usar como compressa. Não via muito sentido nisso, mas vai saber né.

No final acho que as crianças não tinham a real noção do que eram os machucados, porque quando eu pedia para ver algum de uma criança, todas as outras vinham querendo mostrar como se fosse algo legal.

O lado bom é que você realmente aprende muito e lembra da frase de que “dinheiro não traz felicidade”. As crianças davam risada o dia inteiro, mesmo morando sozinhas aos 5 ou 6 anos de idade.

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Camboja

Um desafio?

O primeiro dia.

Foi um choque cultural. Não sei se isso acontece no Camboja todo, mas na escola as professoras são agressivas. Caso as crianças não se comportem, elas batem nelas com um bamboo.

Eu não fazia algo assim enquanto dava aula, então as crianças não se comportavam nem paravam quietas. Então nos primeiros dias, minhas aulas foram um desastre.

Com o tempo aprendi quais jogos eles gostavam, então dizia que depois que terminassem as tarefas eles poderiam brincar. E funcionou. Eles ficavam quietinhos, controlavam os amigos que bagunçassem e depois, quando acabavam a lição, a gente brincava.

O que mais gostou? 

Fazer um trabalho em que os outros viam como muito significativo. O diretor da escola esperava que eu fosse todo dia, sempre me mandava mensagem para confirmar presença.

Vi como o que eu estava fazendo era importante.

Já tinha feito trabalho voluntário antes, mas nenhum se importava tanto como lá. A vontade de fazer tudo era tão minha quanto deles.

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Trabalho voluntário com crianças – Camboja

O que evitar? 

Pesquise bastante o que é e como é o trabalho voluntário que você irá fazer. Muitas pessoas lá estavam felizes com sua rotina, mas muita gente não estava por não ser algo que eles esperavam.

Uma das meninas que trabalhava com jovens deficientes, não pesquisou muito, achou que seriam bebês, mas na verdade eram jovens com 20 anos de idade. Então ela teve um trabalho muito mais difícil do que ela estaria preparada, e por falta de ajuda lá, a situação se complicou um pouco.

Então procure algo que você sabe que será capaz e estará preparado para fazer.

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