A experiência de viver 1 ano no Japão, trabalhando e estudando

A matéria de hoje vai nos levar para longe, para o outro extremo do planeta: Japão!

Falamos com a Lina, 20, que está morando, estudando japonês e trabalhando como modelo em Tokyo desde Junho de 2014.

Desde os 8 anos de idade, ela tinha um grande interesse pelo Japão, sua cultura e tradição. Com essa vontade de saber mais sobre esse país oriental, ela se mudou para lá para aprender a língua japonesa e ver como é viver no meio de um povo tão diferente do brasileiro.

Um experiência incrível que vale a pena ser compartilhada!

Veja o que mais ela nos contou:

Chegando no Japão

Cheguei no Japão sem falar nada de japonês e meu primeiro dia aqui foi um inferno. Estava combinado de que um motorista iria me buscar no aeroporto, mas ninguém apareceu. Fiquei perdida por 4 horas, carregando mala e chorando, e ninguém falava inglês ou me ajudou.

Até que achei uma bancada de informações, perguntei como chegar em tal endereço. Aí a atendente me explicou que um táxi do aeroporto até a casa que ficaria, custaria 400 dólares. Então, ela me explicou como pegar os trens e consegui chegar na estação que precisava, mas as ruas lá não tem nome. Aí comecei a chorar de novo e acabei pegando um táxi para chegar no destino final (não foi caro pois já estava perto).

Não recomendo para quem vier para o Japão, chegar aqui sem falar nada de japonês. 

Como você descobriu o curso?

Usei a IE. Já tinha feito intercâmbio antes, queria já ter ido para o Japão mas não deu. Aí procurei alguns programas, a IE por si só não tem, mas ela me ajudou com o contato e a documentação de tudo. Se quisesse poderia ter feito tudo sozinha, os sites das escolas são bons, mas a ajuda da IE foi muito boa.

Consegui fazer tudo em 6 meses, mas indico uma programação de 1 ano. É muita papelada e documentação que precisa mandar. Eles querem ter certeza de que você não vai mudar para lá, não pode mandar cópia de documentos, precisa ser os originais e depois eles devolvem, pedem histórico bancário, precisa fazer exame médico para mostrar que você não tem tuberculose e precisa já ter a passagem comprada para emitirem o visto.

No final, era tanta coisa pra mandar que pesei tudo e deu 1kg só de papel.

Como achou moradia?

Achar moradia é complicado porque tem muita lei sobre esse assunto. O dono do apartamento pode não querer te alugar por você ser estrangeiro. Então, eu reservei uma casa de família pela IE e foi ótimo, eles me ensinaram o básico para se viver. E por sorte, a mãe dessa família alugava apartamentos, então acabei alugando um dela que divido com mais dois japoneses (cada um com seu quarto), que não são muito meus amigos porque são mais velhos.

Mas hoje, se tivesse tido mais informação antes, teria optado por morar em um share house. Nesse lugar, você aluga o quarto e divide a casa com pessoas de várias nacionalidades. É super fácil de achar pela internet.

Como é seu dia a dia? 

Acordo cedo para ir para a escola e fico lá até as 13h. Depois saio com meus amigos para almoçar. Como Tokyo é uma cidade muito grande, sempre tento visitar lugares novos.

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Asakusa, ponto turístico bem famoso. Tem templos, Jinjas e um mercado “á moda antiga”

 

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Asakusa, ponto turístico bem famoso. Tem templos, Jinjas e um mercado “á moda antiga”

 

O bacana é que você não precisa estar em um ponto turístico para se sentir em uma viagem.

Também gosto de andar a noite, é muito seguro. E aproveito o horário para falar com família e amigos pelo Skype.

Para trabalhar depende do seu visto. Quem te dá a opção de poder trabalhar é o patrocinador do seu visto, que no meu caso é a escola. Às vezes eles não liberam quando querem que você se dedique somente ao estudo. Quando eles mandam a papelada do visto tem um papel que você precisa apresentar no aeroporto na sua chegada. No lugar dele você recebe um documento, para não precisar andar com passaporte, que pode vir com o carimbo que te autoriza a trabalhar ou não. Eu consegui, mas só pode trabalhar meio período e não pode trabalhar com álcool.

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Akihabara

O que faz nos finais de semana?

Tokyo sempre tem muitos eventos acontecendo, então procuro normalmente em sites de estrangeiros falando sobre a agenda do final de semana. Todo final de semana tem uns 5 eventos acontecendo nos mais variados temas.

No começo eu ía bastante em balada, mas é algo muito diferente do Brasil. O japonês não dança até ele ficar muito bêbado. Então, por ser tão parado eu achei que não valia a pena gastar meu dinheiro lá e parei de ir.

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Tokyo.

Mas existe muitas coisas legais para se fazer. O Izakaya, por exemplo, é um tipo de bar open bar. Você paga pela quantidade de horas que quer o open bar e não por cada drink. Aí você senta em uma mesa com amigos ou até mesmo estranhos e vai pedindo tudo por uma televisão. Por ser mais barato, é onde todo mundo vai normalmente.

Aproveitei para viajar nas pequenas férias que tive. Como tem trem para tudo, fica fácil, apesar de ser um pouco caro. Fui uma vez no trem bala só para ver como era, e é demais.  Já optei por viajar de ônibus por ser um pouco mais em conta.

De uma forma geral, o Japão é mais caro, principalmente em moradia. Mas para se alimentar, depende de onde você vai. É possível comer comida boa e barata. O supermercado é tranquilo também, mas se comparado com o Brasil é um pouco mais caro.

Sushi custa um dólar.

Mas chega um hora que cansa, aí procuro algum restaurante ocidental, para variar um pouco, mesmo amando sushi.

Uma coisa bacana é que aqui as estações do ano são muito bem definidas. Não só na paisagem e temperatura, mas o povo muda, as comidas mudam (inclusive os cardápios de restaurantes), as rezas, as decorações e muito mais.

Como está agora para se comunicar?

Já consigo ter uma conversa básica, mais por conta do trabalho que é onde pratico mesmo. Mas a língua é muito difícil mesmo, mais difícil do que qualquer coisa que estudei na faculdade. Às vezes é frustrante estar aqui há quase um ano e não ter saído do básico.

São 3 alfabetos e um deles você pode ler de vários jeitos.

Sei dois alfabetos básicos, mas o Kanji, que é o japonês antigo, tem mais de 2 mil caracteres.

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Um poster em um templo ensinando a rezar.

E dentro do Japão tudo muda também. As pessoas do sul e do norte não se entendem por causa do sotaque. Quando viajei, as pessoas viam que eu era estrangeira então falavam o japonês simples. Mas se eles começam a falar no dialeto deles não tem como entender.

Um desafio? 

Antes de chegar aqui, me falaram que todos falavam inglês. Essa foi a maior mentira da minha vida. Eles sabem escrever inglês mas não sabem falar, então às vezes nem adianta pedir ajuda.

Aqui também é tudo muito diferente, por exemplo o metrô que você paga por trecho.

Mas o maior choque foi quando eu encontrei o banheiro asiático, ele tem mil botões. Fora o botão de descarga, tem botão pra fazer bidê, outro para se você não quiser que as pessoas ouçam você fazendo xixi ele faz um barulho de água pra disfarçar, aí outro pra aquecer o assento e assim vai.

É tudo muito automático.

O que mais gostou? 

Gosto muito das pessoas. Mas acho que isso não vale para todos já que eles são tímidos, fechados e tradicionais.

A melhor coisa daqui é ver como eles se relacionam com as tradições e as estações do ano. Por exemplo, começou o inverno: todos os lugares colocam luzes de natal, o cardápio nos restaurantes muda, começa a época de outros sabores, outras rezas, tem festival de inverno. Até chegar a primavera, aí muda tudo de novo. 

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Cerejeiras em Osaka.

O que evitar? 

Tanta coisa.

Antes de vir para cá, tenha um conhecimento básico da cultura japonesa. Mesmo que não saiba a língua, tente saber como se comportar. Eles têm muitas regras de convivência e principalmente de educação. Por exemplo, aqui é falta de educação atender o celular no trem, porque faz barulho e pode incomodar os outros.

Saber um pouco do idioma ajuda um pouco. E abra a cabeça para vir para cá, eles são muito sério e fechados, precisa saber lidar.

Não acredite somente no que a internet fala do Japão, ela passa uma ideia bem errada. Eles são muito trabalhadores e tem cabeça fechada para mudar, então você que tem que entrar na sociedade deles.

Como lidar com o fuso-horário?

Por ser 12h exatamente fica fácil, até para falar pelo Skype com quem você quiser. A única coisa é que uma pessoa fala pela manhã e a outra fala pela noite, mas a horas são as mesmas.

Tive sorte de não sofre com Jet Lag. O voo mais curto para chegar aqui são de 30h e eu não consigui dormir no avião. Quando eu cheguei, estava exausta, mas esperei até a hora normal para ir dormir e já entrei no horário.

Dicas

Pesquise muito sobre como o Japão é na realidade, fora do lado turístico. Tem gente que acha que aqui é terra de louco como a internet mostra, mas aí você chega e vê que é um país muito sério. E por isso acabam se decepcionando porque o lugar não seguiu as expectativas.

Outra coisa é que todo mundo conhece Tokyo e Kyoto. Mas hoje, se estivesse vindo para cá e pudesse escolher, gostaria de ter feito intercâmbio em Osaka. Lá é uma cidade grande mas as pessoas são muito mais abertas do que as de Tokyo. Então, como brasileiro gosta de conversar com as pessoas, em Osaka você consegue fazer isso. Até para conseguir ajuda na rua é mais fácil porque você encontra mais pessoas que falam inglês , além de ser um pouco mais barato que Tokyo.

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Passeando

Veja também:

As 10 melhores universidades do Japão 

4 Comentários

  1. Olá querida valeu !

    Você é muito corajosa, a única coisa que me deixou curiosa, e para saber quem pagou suas despesas no inicio da sua vida ai no japão..Acredito que, para experiencia é muito bom, embora não devemos ter ideias e deixar se envolver por impulsos antes de conhecer bem o lugar ..o certo é passear e ter certeza se realmente é isso que queremos..
    Mas, valeu pelas dicas e experiencias.. ! Vamos em frente.
    Boa sorte !

  2. joao batista nascimentosays:

    Mensagem admirei
    muito ..

  3. juniorsays:

    oiiiii, pretendo morar no japao, mas tenho duvidas e curiosidades.
    podem me informar o quanto é o gasto mensal?
    a um trabalho com valor de 1200/h

  4. Marcelosays:

    Olá,

    Obrigado pelas informações, ando pensando em fazer um intercâmbio no Japão, embora, já tenha ido a turismo, cerca de 1 mês, vou discordar apenas na questão do comunicação. Pois apenas com um inglês mais ou menos que tinha na época, consegui fazer tudo o que queria, sem guias, nem nada, escolhia o destino do dia e me virava pra chegar, muitas vezes com perguntando em inglês mesmo, outras vezes, apenas mostrando para a pessoa o destino que queria ir, e conseguia ser ajudado. Outro ponto do Japão que foi importante é na hora de comer, ninguém passa fome, a maioria dos restaurantes tem um prato feito fake na entrada, vc escolhe seu prato antes mesmo de entrar. Então, ninguém passa fome.
    Claro que tive uns perrengues, mas consegui me virar com ajuda das pessoas que são muito solicitas.

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