6 Semanas na Índia Fazendo Trabalho Voluntário!

Muitas vezes vemos pessoas que viajam pelo mundo, deixando uma marca no lugar onde vão. Pessoas que se dispõem a enfrentar situações incomuns, mas não desistem por saber a importância do papel delas na vida de pessoas que precisam. E quando vemos histórias assim, nos emocionamos ao ver a bondade e as lições de vida, e que acabam mudando nossa visão sobre o mundo.

A reportagem de hoje é mais do que encantadora, ela deve ser vista com um exemplo de como é possível fazer algo realmente bom. É uma lição e uma inspiração, que com certeza mudou a vida de muitos.

A Bruna tem 24 anos e passou 6 semanas na Índia fazendo trabalho voluntário.

A ONG que ela trabalhou, a Udayan Care, possui 20 anos de existência e ajuda crianças até 18 anos. Entre elas órfãs ou crianças cujas famílias não tem condições financeiras para sustentá-las.

São 14 casas espalhadas pela Índia.

As casas se dividem entre:

  • meninas até 18 anos;
  • meninos até 18 anos;
  • e também com o que eles chamam de After Care – O intuito é capacitar jovens maiores de 18 anos para que eles possam se sustentar e virarem independentes.

Olha só como foi a experiência da Bruna:

Como você descobriu o programa?

Pela Aiesec. Mas você só descobre a ONG que vai trabalhar quando chega lá, é a Aiesec da Índia que define.

Como você se inscreveu? 

Tudo feito pela Aiesec.

Como achou moradia?

A acomodação estava incluída no programa. Mas chegando lá tive alguns problemas.

Primeiro que cheguei na Índia às 3 horas da manhã, e o motorista que deveria me buscar chegou somente às 7 horas da manhã (descobri depois que isso aconteceu com outras pessoas também).

Quando o motorista me levou para a minha suposta moradia, não tinha ninguém lá para me receber. E essa casa ficava a 2 horas da ONG que eu iria trabalhar.

Entrei em desespero, até que um indiano me viu chorando e me ajudou.

Consegui pegar um taxi que me levou a um hotel.

Passei 2 dias no hotel, aproveitei e fiz um pouco de turismo sozinha. Até que no terceiro dia encontrei a pessoa que era responsável por mim na Índia. E ela me levou para casa que eu deveria ficar.

Mas a história não acabou aí, depois de 2 dias nessa casa, que chamava Delhi Stay, fui informada de que a casa seria esvaziada e que deveria me mudar para outro lugar.Finalmente fui para o local onde fiquei o resto das 6 semanas, dividia o quarto com 3 pessoas.

Infelizmente a casa não era muito limpa. Tinham alguns ratos e baratas nela. Mas o que fez mais diferença foi não ter ar condicionado, as temperaturas no verão são muito altas lá, em média 48 graus Celsius.

Como era seu dia a dia? 

Depois do meu segundo dia na moradia definitiva, comecei a trabalhar na ONG. Ia de tuc-tuc (tipo de locomoção, como se fosse a mistura de carro com moto).

TUC-TUC
TUC TUC

Quando cheguei na ONG, durante os 2 primeiros dias eu não tinha função. Conversei com a dona da ONG, a Kira, e com a responsável por voluntários. Elas me deram a oportunidade de trabalhar onde quisesse.

Graças a minha formação, eu poderia ajudar tanto no escritório da ONG como diretamente com as crianças.

Decidi fazer meio período de cada. Durante a manhã eu trabalhava na área de desenvolvimento de projetos. Que se resumia a arrecadar dinheiro e conseguir parecerias para sustentar os 4 projetos principais:

  1. Manter os orfanatos;
  2. Proporcionar cursos de informática para os mais velhos;
  3. Ajudar as Shalinis (crianças que não moram nos orfanatos mas precisam de ajuda financeira para ser sustentadas já que as famílias não tem condições para isso);
  4. Conseguir parcerias para arrecadar dinheiro. Ex.: Global Giving.

Preparava análises sobre o Global Giving e montava apresentações para mandar para parceiros ou doadores.

Depois, durante a tarde, ia para uma casa de meninas que tinham entre 10 e 14 anos. Ajudava elas com o inglês, brincava e ajudava com as tarefas de férias que as escolas delas passaram.

Nessa casa tinham 4 meninas com sequelas mentais causadas por traumas psicológicos. Elas exigiam uma atenção especial.

Quando acabava meu horário do voluntariado, eu ia para casa. Não é seguro na Índia mulher andar sozinha na rua depois que escurece.

Quando saía a noite, era sempre com uma turma para uma rua turística que tinha bares e restaurantes.

Íamos de carro pois era mais seguro. Inclusive, sei que é possível contratar um motorista particular (umas americanas que estavam lá fizeram isso).

O que fazia nos finais de semana?

Viajei todos os finais de semana de trem. Fui para Rishikesh, Jaipur, Jodipur, visitei o Golden Temple, Dharma Shala e Varanasi.

Minha companhia durante essas viagens eram pessoas que tinha conhecido lá. Cada uma com cultura e história completamente oposta da minha. É incrível ver como as coisas podem ter um ponto de vista diferente, como cada um segue suas tradições e leva sua vida de um jeito, e que para mim era incomum até então.

Aprendi e me encantei com cada um deles.

Taj Mahal

Desafios?

Lidar com tanta diferença. Seja ela cultural ou religiosa, e saber respeitar e admirar.

Viver de uma forma muito simples no meio de uma pobreza tão grande.

Era difícil ser imparcial com as crianças, e ouvir os traumas e histórias tristes da vida delas. Primeiramente tentei manter uma certa distância, mas não consegui.

Cada uma delas me conquistou de tal forma.

Depois que os meus dias de trabalho acabaram, continuei indo encontrar as crianças até meu último dia na Índia. No fim foi muito difícil me despedir. Recebi uma carta de uma das meninas que chorei lendo do começo ao fim, de tanta emoção.

Crianças da ONG

O que mais gostou?

Pela primeira vez na vida eu senti que fiz uma coisa realmente boa. Senti o impacto positivo que tive na vida de pessoas. Me envolvi com as crianças e com a ONG, e vi como é fácil ajudar, basta se dispor a tal.

O que me motivava a ficar lá, e morar naquelas condições, era saber que eu iria pra escola no dia seguinte ajudar as crianças. O simples fato de estar com elas já me enchia de alegria.

Eu via também a felicidade delas por me ter lá.

Foi realmente uma lição de vida, ver como cada uma delas tinha uma vida tão conturbada e mesmo assim tinham um coração enorme. Não vejo a hora voltar, revê-las e também conhecer mais crianças e pessoas que podem ser ajudadas.

O que evitar? 

  • Short, blusa de alcinha ou roupas menores.
  • O verão na índia. Não voltaria lá nessa estação, o calor me incomodou muito.
  • Evitar andar sozinha, especialmente mulheres.
  • Não tomar água de torneira.

Dicas úteis?

  • Se vestir como indiana.
  • Experimentar de tudo, desde roupas até comidas.
  • Tentar conhecer os indianos. Ao mesmo tempo que eles são difíceis eles são muito amorosos.
  • Viajar bastante, os trens são baratos e muito bons.
  • Beber muitos chás.
  • Se prepare para ter dor de barriga.

Enquanto estava lá, aproveitei para viajar pela Ásia.

Não é um roteiro comum para os brasileiros.

A natureza é maravilhosa, as religiões são encantadoras e as construções são incríveis. As pessoas também são muito atenciosas.

E se quiser um Hostel bom para ficar em Nova Delhi eu indico o Bed & Chai. 

Hoje, a Bruna continua ajudando a Udayan Care aqui do Brasil. Ela ajuda com a tradução de documentos, divulgação dos projetos e o incentivo para outros voluntários irem para a Índia.

Apesar de estar de volta, ela com certeza tem planos de voltar para a Índia. E recomenda a todos que pensam em fazer trabalho voluntário, que essa é uma experiência sem igual.

A ONG, precisa de muita ajuda. No Global Giving, você pode fazer doações diretamente para a Udayan Care.

Pedimos que repassem essa história para amigos e conhecidos, para mostrar como ajudar essas crianças, e como é possível fazer um trabalho tão especial e significativo, como a Bruna fez.

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Para entrar em contato com a ONG, esse é o email para voluntários: volunteers@udayancare.org

Se quiser falar por facebook com responsável pelos voluntários, fale com Prachi Chatirvedi .

Ou se quiser falar com responsável pela área de projetos, fale com a Shradha Agarwal.

E também, com a Sohini Karmakar.

Elas estão super abertas ao contato de vocês. Seja para tirar dúvidas ou ajudar a ONG.

Veja também: Curso de direção de arte na Alemanha

Trabalho voluntário na China

4 Comentários

  1. Julianasays:

    Olá!
    Gostei muito do post, bem informativo e direto!
    Faço parte da Aiesec e tenho muita vontade de fazer voluntariado na Índia. Por isso, tenho procurado conversar com pessoas que foram pra lá pra tirar dúvidas e ter mais dicas. Se a Bruna não se importar, você poderia me passar o contato dela?

    Agradeço desde já!

  2. Mariane Gautériosays:

    Olá! Acho lindo esse trabalho e quero muito um dia fazer parte, por isso gostaria de maiores informações. Parabéns a Bruna, gostaria muito de entrar em contato com ela.

    Parabéns e obrigada.

  3. Inêssays:

    Olá!!
    Antes de mais, Parabéns Bruna! Incrível…
    Também estou na aiesec, neste momento a procurar um estágio de voluntariado!
    Onde posso encontrar mais fotos dessa experiência na Índia?
    Bem haja,

    Inês de Oliveira

  4. Leonardo do vallesays:

    Boa noite.

    É necessario qual tipo de visto para essa ação voluntária?

    Obrigado.

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